MEMÓRIAS DE UM REPÓRTER (DO INTERIOR)

Memórias de um Repórter



JORNALISTAS QUE SÃO EXEMPLOS

Na minha atividade profissional na área de comunicação, alguns nomes merecem citação como exemplos de conduta e capacidade humana. Barbosa Lima Sobrinho com quem convivi nos últimos anos de sua vida merece destaque especial, juntamente com Roberto Marinho, jornalista e empresário do setor de imprensa, rádio e televisão.

Outros nomes também se apresentam e mesmo não tendo qualquer relacionamento profissional, são dignos de figurar na galeria dos grandes homens de comunicações do século 20. É o caso de Assis Chateaubriand, o pioneiro da TV na América do Sul, Carlos Lacerda, o polêmico jornalista de muitas jornadas, João Jorge Saad que implantou o grande complexo da Rede Bandeirantes, João Monteiro de Barros que implantou há mais de 12 anos a RedeVida de Televisão e outros, cujos nomes não me ocorrem no momento.

Quando fui designado para ocupar uma vaga de Diretor Regional do Interior da Associação Brasileira de Imprensa – ABI – por indicação da Sucursal de São Paulo, tive o privilégio de conhecer, o tão falado jornalista Barbosa Lima Sobrinho. Foi no ato de instalação da Sucursal em São Paulo. Com ele conversei demoradamente. Cheguei mesmo a convidá-lo a visitar nossa região. Mas ele, já ultrapassando os seus 90 anos de vida disse que estava evitando viagens distantes, porque não era adepto dos vôos aéreos. Gostava mesmo era das viagens de curta distância, a pé ou de automóvel, o que inviabilizava sua vinda a Presidente Prudente.

Como lembrança de Barbosa Lima Sobrinho desse dia tenho apenas um autógrafo, embora seus representantes tenham vindo muitas vezes à esta região durante o tempo em que fui Diretor do Interior da ABI/SP. Mas ele que faleceu com 103 anos de idade em Julho do ano 2.000, só deixou de cumprir uma previsão: ser o homem de três séculos, pois nasceu em 1.897, viveu durante todo o século 20 e queria morrer no século seguinte, isto é no ano 2.001. Assim mesmo ele cumpriu importante missão no Brasil, como político e jornalista. Teve mais de 50 livros editados, ingressou na ABI em 1.926 e ocupou a presidência por várias gestões, totalizando 41 anos de atividades.

Na vida política brasileira, Barbosa Lima Sobrinho foi Deputado Federal nos anos 30; Constituinte de 1.946 e Governador de Pernambuco de 1948 a 1951, onde implantou o primeiro projeto de reforma agrária no País. Como democrata encabeçou uma ação popular que culminou com a destituição de Fernando Collor de Melo, da Presidência da República. Mesmo nos últimos dias de vida, com total lucidez relembrava os principais acontecimentos da história brasileira, escrevendo como um dos mais assíduos e eficientes colaboradores do Jornal do Brasil.

O último artigo escrito por Barbosa Lima Sobrinho, intitulava-se: “A exclusão da classe média” e foi publicado no JB na véspera de sua morte.



Escrito por Altino Correia - Repórter às 18h45
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




MST BLOQUEIA RODOVIA

Num determinado período do final do século 20, fui chamado a realizar cobertura de uma ação do MST na rodovia que liga Teodoro Sampaio ao novo município de Euc1ides da Cunha Paulista, no pontal do Paranapanema. Os sem terra haviam bloqueado a rodovia, efetuado alguns saques a caminhões que transportavam gêneros alimentícios, ameaçavam os passageiros e já tinham sacrificado um animal em plena pista para a obtenção de carne bovina.

A situação se tornou crítica a tal ponto, que a própria Policia Militar nos aconselhou a ser escoltados no trajeto e evitar a realização de qualquer tipo de entrevista na área de conflito. Aceitamos a recomendação e partimos com câmeras ligadas para colher todas as imagens necessárias. Mas alguns policiais devidamente equipados nos davam segurança, como se fossem nossos batedores e protetores.

Nesse deslocamento num trajeto aproximado de cinco km. pudemos verificar que os sem terra não estavam para muita conversa. E do alto dos barrancos ameaçavam atirar pedras em todo e qualquer veiculo que quisesse estacionar na área. Foi em meio à rodovia que vimos as marcas de sangue de um bovino abatido horas antes. A nosso pedido o cinegrafista fechou um “Zoom” sobre o local, e continuamos em marcha. Confirmamos mais detalhes no retorno (com as viaturas policiais nos protegendo) e deixamos a finalização da matéria para as horas seguintes, nos estúdios da emissora.

Utilizando os recursos do “Croma-Cris” montamos a passagem (ou a sonora que é o termo mais usado), áudio e algumas entrevistas complementares. Fechamos a matéria, que foi editada e veiculada em seguida a nível regional. Ações como essa se repetiram muitas vezes nos acampamentos às margens da rodovia, incluindo invasões de propriedades, furto de animais, abates clandestinos, saques e outros atos de violência.

Não faltaram no decorrer dos últimos anos, ações judiciais com atos de reintegração de posse e prisões de elementos ligados a esse movimento, que por incrível que pareça já vai para trinta anos ou mais, sem qualquer solução. O governo de linha esquerdista que está no poder tem feito reiteradas promessas de solução para o problema agrário, mas nada de concreto até agora vem se verificando no Pontal do Paranapanema.

À propósito me faz lembrar que durante as primeiras ações nas imediações do Morro do Diabo, um sacerdote da Diocese que convive conosco até os dias atuais foi convidado a dar assistência aos necessitados e celebrar missa num dos acampamentos. Como o padre tinha em seu carro um transmissor da faixa “cidadão” com alcance limitado para sua comunicação, foi acusado de estar a serviço dos invasores de terras (aqueles que precederam os sem terra na região), e vivem até hoje naquela mesma área.

Conforme a denúncia, o religioso teria a serviço da causa uma estação de rádio de grande potência com grandes antenas e poderosos transmissores de ondas médias e curtas. Seria um serviço especial como forma de cobertura aos trabalhadores volantes, bastante reprimidos na época não só pelos fazendeiros como também pela polícia e pelas autoridades judiciárias. Ocorre que a emissora clandestina citada pelo denunciante – inclusive em ações judiciais – não possuía mais do que Um watt de potência - com alcance inferior a 1 km. de distância, que jamais poderia servir como veículo de propaganda ou divulgação.



Escrito por Altino Correia - Repórter às 18h43
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




O MÉDICO QUE ENVEREDOU PARA O CRIME

Este fato verificou-se nos anos 60 do século passado na Penitenciaria I “Dr. Zwinglio Ferreira” de Presidente Venceslau, que acolheu para cumprir sentença um médico de renome nacional. Ele era especialista em cirurgia plástica com estágio na Clínica do Dr. Pitanguy, no Rio de Janeiro. Nome suposto: Dr. Osny, acusado de envolvimento com o narcotráfico, morte e contrabando, embora tenha negado todas as acusações. Em razão de sua inteligência e capacidade profissional, o médico acabou conquistando a confiança de muita gente, inclusive de funcionários graduados do Instituto Penal e figuras relacionadas ao meio social e artístico do país.

Solicitado a prestar alguns serviços na área médica da Penitenciária, Dr. Osny não criou o menor problema. Passou a trabalhar de graça, ajudando inúmeros agentes penitenciários e também colegas recolhidos naquele presídio. O atendimento se processava no pequeno Hospital da Penitenciária, todos os dias em qualquer horário, pois ele estava sempre disponível. Mas o que poucos sabem é que o sentenciado tentou inúmeras fugas, algumas bem sucedidas. Porém, outras resultaram em verdadeira tragédia, com fraturas por todo o corpo.

Numa tentativa de fuga frustrada, ele simulou uma fratura do braço, apresentando-se ao enfermeiro de plantão para um atendimento de emergência. Como houve problema com um dos funcionários de plantão que precisou ser substituído, levantou-se a primeira suspeita de que o gesso que ele apresentava, nada mais era do que um disfarce. E aí, constatou-se que em meio ao gesso, encontrava-se uma arma introduzida no presídio por algum comparsa.

Em outra ocasião, Dr. Osny autorizou a entrada em sua cela de uma lata grande de Toddy, que ao ser aberta apresentava embutido no seu conteúdo um revólver cheio de balas que se destinavam a uma fuga forçada ou princípio de rebelião na penitenciária, o que foi impedido em tempo pelos agentes penitenciários com o apoio da Segurança.

Certa vez, quando prestava serviços como Repórter III do Jornal do Brasil tive o privilégio de realizar uma entrevista com o médico – presidiário. A reportagem foi feita juntamente com uma colega jornalista que veio de São Paulo, especialmente para esse trabalho em Presidente Venceslau.

No encontro, Dr. Osny impressionou pela facilidade de comunicação, pela inteligência e pelas respostas apresentadas em tudo que foi questionado. Chegou a nos dizer que já havia lido a Enciclopédia Britânica de ponta-a-ponta, e gostaria de ler outras enciclopédias e todas as Bíblias existentes no Brasil.

Depois que a matéria foi publicada pelo JB, ele contestou e chegou mesmo a ameaçar a colega de processo por danos morais, difamação e calúnia, especialmente no que diz respeito ao perfil que lhe foi traçado pelo jornal. Posteriormente, ele foi transferido para Taubaté, Araraquara e outros presídios do Estado. Em todos eles tentou fugas, a maior parte mal sucedidas.

A condenação do Dr. Osny pela justiça é de 46 anos de reclusão, dos quais em 2003 já havia cumprido metade da pena, fazendo jus portanto à liberdade condicional que espera alcançar proximamente. Até que isso aconteça, ele escreve, já tendo vários livros editados. Alguns, com excelente índice de vendas e aceitação, inclusive no exterior.



Escrito por Altino Correia - Repórter às 08h53
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




LEVARAM OU DERAM O CANO ?

Na última metade do século passado, foram números os shows e espetáculos públicos realizados nas cidades da região de Presidente Prudente. A maioria desses eventos se desenvolveu normalmente, com a platéia maior ou menor, dependendo naturalmente do sucesso do artista.

Muitas celebridades marcaram presença nos grandes espetáculos, mas também não faltaram reações de protestos, quando o show deixou de ser realizado ou não tenha agradado satisfatoriamente os espectadores. Como não poderia deixar de ser houve também “canos” dados ou levados por alguns artistas.

Foi o que aconteceu em Presidente Venceslau, quando um suposto cantor usando o nome de Carlos Gonçalves, firmou parceria com a Emissora local para um show em praça pública. Ele mesmo percorreu o comércio e vendeu as cotas de patrocínio, que seria dividido com a Rádio como parte da divulgação e transmissão “ao vivo”. No dia seguinte, ele se apressou a receber o valor equivalente ao patrocínio e desapareceu da cidade, sem deixar qualquer referência sobre seu paradeiro.

Logo que deixei Presidente Venceslau e transferi residência para Presidente Prudente, acompanhei com muito entusiasmo o trabalho de Assistência Social prestado ao município pela saudosa Sra. Marina Ishibashi, esposa do vice-prefeito Watal Ishibashi, sucessor do prefeito Florivaldo Leal. .Lutando com dificuldades acertou o contrato de apresentação de todo o elenco de uma novela da TV Tupi, num show beneficente. Houve ampla divulgação com o apoio da Rádio Presidente Prudente, onde eu dividia as minhas atividades com Geraldo Soller e outros companheiros.

Os artistas lotaram um ônibus cedido pela Andorinha e foram festivamente recebidos. Entre eles, o ator Sérgio Cardoso, a atriz de telenovelas Aracy Balabanian e outros nomes famosos, que pouco tinham a apresentar, a não ser sua presença física como artistas de renome nacional. No final, em termos de renda, foi um fracasso total.

Para pagar os artistas no dia seguinte foi preciso apelar para a ajuda financeira de muitas pessoas, e assim mesmo, com cachê reduzido de acordo com a boa vontade de cada um deles. Uns compreenderam a situação, como foi o caso de Aracy Balabanian, mas outros não aceitaram qualquer tipo de negociação..

Posteriormente, o padre Francisco Leão que lutava ardentemente para.. manter em funcionamento o Lar dos Meninos também enfrentou a mesma situação. Isto é, contratou um espetáculo de luta livre com os Reis do Ringue. Eram os grandes nomes da época e na Televisão empolgavam, principalmente pelas simulações, que poucos espectadores conheciam.

O festival foi bem concorrido, chamou a atenção dos apreciadores, mas faltou dinheiro para pagar o compromisso assumido com o empresário. Ao invés de lucro, o padre Leão precisou fazer uma coleta junto aos seus amigos mais íntimos e a população – sempre generosos - para não passar vergonha.

Anos depois, uma empresária de shows também contratou a dupla Leandro e Leonardo para uma de suas apresentações no Estádio do “Prudentão”. Toda a divulgação – incluindo a TV - foi contratada previamente e os ingressos vendidos com antecedência. Mas na hora da apresentação os artistas se recusaram a entrar no palco, a não ser que o pagamento lhes fosse feito em dinheiro.

Como a exigência fazia parte do contrato, o show sofreu atraso de mais de duas horas, com o público fazendo seu protesto coletivo. E só foi apresentado porque alguém assumiu a responsabilidade pelo cachê dos artistas conforme cláusula contratual. Aliás, foi também em Presidente Prudente que ocorreu fato similar com o cantor Roberto Carlos. Porem, resolvido satisfatoriamente após acordo entre as partes, sem qualquer prejuízo.

Em outra ocasião ocorreu um grave incidente que resultou na suspensão de um espetáculo público no antigo Parque São Jorge, onde a atração maior era o rei Roberto Carlos. A Jovem Guarda estava no auge, mas havia quem rejeitasse o movimento. Era uma ala dissidente, representada por uma minoria que se encontrava naquele local com o propósito de perturbar o espetáculo.

Na abertura, enquanto Roberto Carlos cantava uma de suas músicas, eles passaram a lançar das arquibancadas “aviõezinhos” de papel em sua direção. Reprovando a conduta e o péssimo comportamento daquele pequeno grupo, Roberto Carlos advertiu que não aceitaria aquele tipo de brincadeira. Mas a provocação continuou, e ele simplesmente interrompeu a música que estava cantando, se desvencilhou da guitarra que estava usando nos acompanhamentos e deu o show por encerrado, para a tristeza dos demais espectadores que lotavam o Estádio de futebol..

Já o cantor e humorista Juca Chaves se envolveu numa situação delicada e bem diferente. Contratado por um empresário conhecido por Aristides, veio até Presidente Prudente para um show no Teatro Municipal. Moço honesto, de boa formação e artista consagrado, ele agiu de forma ingênua por não ter exigido do empresário qualquer referência ou garantia. Com os ingressos vendidos previamente, jamais poderia supor que entraria num conto inédito.

Momentos antes de subir ao palco, o esperto empresário perguntou ao Juca Chaves se ele desejaria fazer o acerto de contas. Diante da recusa e por acreditar no próximo, o artista deixou o problema para o dia seguinte mediante encontro na portaria do Hotel que lhe foi reservado especialmente pelo empresário. O horário marcado para o acerto de contas ficou previsto para às 10h00 da manhã seguinte, mas duas horas depois, o empresário não apareceu nem deu noticias de seu paradeiro.

Jucas Chaves esperou até às 12h00 e nada. Daí por diante, começou a desconfiar e às 14h00 concluiu que já havia levado a pior. Falando em termos confidenciais ele me disse, que levar o cano é normal, mas “dar o cano, nunca”. Discretamente, chamou o gerente do Hotel e pediu a nota de despesas. A resposta foi imediata: Aqui o Sr. não paga nada, quem vai pagar é o empresário. Eu faço questão de pagar, disse Juca Chaves, acrescentando: Eu posso sofrer prejuízo, mas o Hotel não. O funcionário com toda certeza nem sabia do que se tratava. Aí prevaleceu o bom senso e ele pagou a conta em dinheiro. Depois, disse: Se eu deixar a cidade sem pagar a conta do Hotel, todos vão dizer que eu dei o cano. Por isso, prefiro ficar sozinho com o prejuízo!.

Já no século atual, um pastor evangélico contratou um show musical com um conjunto liderado pelo jogador Marcelinho Carioca. O show não se realizou e o cano foi dado pelos dois, ou seja: o Pastor que contratou a divulgação de rádio e TV e não pagou e o jogador que gravou uma chamada confirmando sua presença no Ginásio de Esportes de Presidente Prudente, mas que acabou não comparecendo.

O público que adquiriu os ingressos se sentiu lesado pela ausência do jogador e exigiu o dinheiro de volta pago pelos ingressos. Sem público, sem a presença física de Marcelinho Carioca e sem dinheiro para pagar os demais artistas, o show foi suspenso e o problema transferido para a Polícia, que abriu inquérito e autuou os infratores. O Pastor que desapareceu da cidade ofereceu como garantia alguns cheques por ele assinados, mas posteriormente devolvidos sem provisão de fundos.

Mais recentemente, um conjunto denominado "Sorriso Maroto" não mostrou sorriso algum, a não ser a decepção causada entre seus fãs admiradores, não dando o ar da graça num show programado no Ginásio de Esportes do Tenis Clube de Presidente Prudente.

Quem deu o cano foi o empresário do grupo (que não os pagou conforme contrato) e quem perdeu foi o público, que comprou ingressos para o show e não viu nada. O Clube que locou suas dependências foi apedrejado durante o protesto e nada recebeu pelos danos causados com a reação dos manifestantes.



Escrito por Altino Correia - Repórter às 08h50
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




A PACIÊNCIA DE CERTOS POLÍTICOS

No decorrer dos acontecimentos políticos verificados nos últimos anos do século passado, tive a oportunidade de ressaltar a conduta e principalmente a grande dose de paciência do Dr. Ulisses Guimarães, tragicamente desaparecido num desastre em alto mar, quando mantinha sua posição de liderança política no Brasil. Mas também existiram outros políticos que se destacaram pelo autocontrole e principalmente pela tranqüilidade.

O que se poderia denominar: “Paciência de Jó”. Entre eles, Dante de Oliveira, que se celebrizou pelas “Diretas-Já” e o polêmico Leonel Brizola, responsável pela implantação do PDT, depois de ter sido membro do PTB de Getúlio Vargas, deputado estadual, deputado federal e governador dos estados do Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro, respectivamente.

Brizola que era cunhado do presidente deposto, João Goulart esboçou sua primeira reação ao liderar a “Rede da Legalidade” tendo como cabeça de ponte a Rádio Farroupilha de Porto Alegre e um sem número de emissoras espalhadas por vários pontos do país. Da região de Presidente Prudente, o primeiro a aderir ao movimento de rebeldia foi o jornalista Joaquim Zeferino Nascimento. Inesperadamente, ele apareceu como porta-voz dos que combatiam os militares que assumiram o poder integrando o novo Governo da República após a deposição de João Goulart, em 3l de Março de 1.964.

Foi aqui em Presidente Prudente que conheci muitos anos depois e entrevistei Dante de Oliveira, que estava concluindo uma série de visitas à região e se dispôs a dar uma entrevista exclusiva a TV Bandeirantes. Era para falar sobre a importância das “Diretas-Já”. O tempo era curto e o avião que o levaria de volta a Brasília, já estava com as turbinas ligadas e pronto para decolagem.

Foi lá mesmo no Aeroporto Internacional “Adhemar de Barros”, que ele gravou a entrevista em vídeo para posterior divulgação. Tudo ao som das turbinas em fundo como efeito especial que durou cercas de dez minutos. Em seguida, ele se despediu dos que o acompanharam e partiu em direção à Capital da República.

Depois desse episódio, aqui esteve Leonel Brizola, antecipando-se à visita do então Presidente Fernando Collor de Mello, cujo governo foi uma decepção para os que o elegeram, culminando com sua cassação de mandato através de um pedido de impeachment assinado pelo Presidente da Associação Brasileira de Imprensa (A B I), jornalista Barbosa Lima Sobrinho.

A vinda de Leonel Brizola a esta região, foi a primeira e única em toda sua carreira política. Tudo se deu em face da amizade existente entre ele e um adepto do PDT que há muitos anos se encontrava radicado em Presidente Prudente, onde atuou no setor de vendas, começando por cotas de sociedade de um grande Hospital Regional e outras atividades do ramo imobiliário. Como Leonel Brizola estava na “berlinda” como ex-Governador do Rio de Janeiro, teve o beneplácito dos dirigentes políticos locais para falar sobre sua brilhante administração. E Brizola deu conta do recado, falando por horas e horas num palanque montado junto ao Jd. Everest, precedendo à inauguração de uma escola do Conjunto Cohab-Cecap, construído com recursos do BNH do Governo Federal.

Enquanto Brizola falava, começou a chover e grande parte da platéia acabou buscando refúgio em áreas cobertas nas imediações. Somente os que estavam sob proteção de guarda-chuvas permaneciam diante do palanque, à espera do encerramento do comício. Mas Leonel Brizola – mesmo com o avião aguardando por horas e horas para decolar – e sob o efeito da chuva, continuava tranqüilamente sua pregação. Até que alguém assoprou no seu ouvido que a chuva continuava e o bom seria encerrar o pronunciamento. Foi aí que ele aproveitou para transmitir suas últimas palavras, dizendo: “Se alguém está pensando que eu tenho pretensões políticas, pode tirar seu cavalo da chuva, porque o meu eu já tirei há muito tempo”.



Escrito por Altino Correia - Repórter às 08h44
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




VERDADE OU MENTIRA ?

Muitas vezes ocorrem confusões na identificação das pessoas. Por isso, somos chamados por nomes (ou sobrenomes) que nem sempre correspondem à realidade. Mas para evitar transtornos ou constrangimentos se torna mais recomendável não se manifestar, aceitando o engano como a verdade. Foi o que aconteceu comigo em inúmeras ocasiões.

Conheci Geraldo Soller há quase cinqüenta anos. Era, e é meu companheiro de atividades profissionais desde os últimos anos da década de 50, escrevendo ou falando através do jornal e das Emissoras de Rádio. Com ele, viajei até Brasília numa grande delegação representativa da Alta Sorocabana a convite da Assessoria Especial da Presidência da República.

Depois, por intervenção pessoal de Geraldo Soller transferi meu domicílio definitivamente para Presidente Prudente, onde trabalhamos juntos na Administração e no Radiojornalismo da ZYR-84 por um bom tempo, onde ele apresentava e eu participava da produção de “O Escaramuça”, um programa de estilo crítico, informativo e investigativo de maior audiência na época. Simultaneamente, participamos também de outros acontecimentos, dando ampla cobertura através da imprensa, identificados sempre como amigos e irmãos.

Devido a essa amizade sincera e leal, também chegamos a ser confundidos muitas vezes. De minha parte, asseguro que recebi cumprimentos de muita gente, pelas matérias publicadas no O Imparcial, como se eu fosse Geraldo Soller. Não sei se com ele também aconteceu o mesmo. Aliás, a longa convivência faz com que as pessoas gravem a fisionomia, mas geralmente esquecem os nomes. E assim, já fui chamado por Adelmo, Barbosa, Benito, Dom Agostinho, e na maioria das vezes, Geraldo ou Soller.

A situação mais constrangedora aconteceu após a missa de um domingo na Capela do Colégio Cristo Rei, freqüentada habitualmente por Geraldo e sua digníssima esposa, Aparecida. A confusão certamente aumentou, porque minha esposa também é Aparecida, e meu falecido pai chamava-se Miguel, coincidentemente o mesmo nome do pai e de um neto do Soller.

Foi assim que ao deixarmos a capela do Cristo Rei, um senhor de certa idade muito gentilmente veio em minha direção especialmente para apresentar seu filho ou neto que acabava de chegar do exterior. E de uma forma espontânea - precedendo os cumprimentos - ressaltou: “Este aqui é o jornalista que escreveu aquele artigo em minha homenagem”...

Embora reconhecendo o mérito da questão, eu não poderia em hipótese alguma me fazer passar por Geraldo Soller. E disse a ele como forma de justificativa: O Sr. vai me desculpar, mas eu sou Altino Correia. Percebi imediatamente que havia cometido alguma gafe, mas preferi a verdade e não me manifestei naquele momento.

Contando esse caso ao companheiro Geraldo Soller, eu quis saber como ele se comportaria no meu lugar. E Soller foi categórico: ficaria calado!.. Depois desse episódio, tive a oportunidade de participar inúmeras vezes de encontros sociais, onde Geraldo Soller também se fez presente. De maneira especial em eventos, objetivando expressar os agradecimentos pela sua eficiente contribuição ao desenvolvimento através de sucessivas campanhas. Sua comunicação diária por meio do jornal O Imparcial, favoreceu sobremaneira sua atuação. Nada menos que em duas ocasiões, ele recebeu as mais expressivas homenagens pelos seus 60 anos dedicados ao jornalismo: no Balneário Thermas em 2005 e nos salões da Prudentina, em 2006.

Com uma matéria especial que eu produzi para a Rede Vida de Televisão e que foi transmitida para todo o país, ele se consagrou com uma as mais importantes figuras da região, reconhecido oficialmente pelos seus magníficos trabalhos profissionais. Nos dias que sucederam a realização desses festivos acontecimentos, fui cumprimentado por algumas pessoas que continuaram confundindo a nossa identidade. Um deles foi mais alem: depois de me cumprimentar pelas homenagens, se recusou a receber o pagamento da reposição de um acessório que eu havia adquirido numa loja de peças, por reconhecer os méritos que ele me atribuiu como se fosse Geraldo Soller.

Aceitando a recomendação do próprio Soller, permaneci calado para não arranhar a imagem de quem tão merecidamente foi homenageado pelos 60 anos dedicados ao jornalismo e comunicação na região de Presidente Prudente.



Escrito por Altino Correia - Repórter às 08h42
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




UM HEROI JAPONÊS PASSOU POR AQUI

Hiroo Onoda, um ex-combatente da II Guerra Mundial passou pela região de Presidente Prudente logo após seu casamento com uma professora japonesa, em São Paulo. Seu propósito não era outro, senão o de se estabelecer na área rural como criador de gado em Mato Grosso do Sul. Para isso obteve ajuda de vários patrícios, não só de Presidente Prudente, mas também de toda a região. Entre eles, Hiroshi Yoshio, o grande e saudoso criador de Nelore, que ofereceu diversos reprodutores para que Onoda pudesse realizar seus sonhos como criador de gado. Isso aconteceu por volta de Julho de 1976.

Onoda tem uma história incrível e até inacreditável: viveu na selva das Filipinas por aproximadamente 30 anos, sem saber que a Guerra havia terminado há muito tempo. Ocorre que ao ser localizado e identificado por um estudante japonês de nome Norio Suzuki em 1972, ele recusou-se a se render por não acreditar que a guerra havia terminado em 1945.

No ano de 1960 por falta de notícias sobre seu paradeiro, Onoda foi declarado morto no Japão, embora continuasse vivo e refugiado nas densas matas das Filipinas. Segundo os historiadores, ele e outros três soldados japoneses foram localizados por uma patrulha dos Estados Unidos. Um deles rendeu-se aos norte-americanos e dois foram mortos em combate. Mas Hiroo Onoda sobreviveu e tomou rumo ignorado até 1972.

Oficial do Serviço de Inteligência Japonês e ocupando o posto de Tenente da Armada Imperial, cumpria ordens de seus superiores nas Ilhas Filipinas. Por isso, ao saber que ele continuava vivo, as autoridades japonesas localizaram e requisitaram em 1974 o trabalho de seu ex-comandante Taniguchi, a fim de se deslocar até as Filipinas com a única finalidade de convencê-lo a aceitar a derrota e a deposição às armas. Onoda concordou e se entregou com um rifle, granadas e 500 cartuchos. Com a rendição, ele deixou a Selva e ficou à disposição das autoridades.

Os aliados e o Governo das Filipinas denunciaram Onoda como responsável pela morte de pelo menos 30 pessoas, a maioria, habitantes da ilha. Mas em atenção ao tempo que ele permaneceu perdido na selva, por desconhecer o fim da guerra e dado como morto pelo Governo Japonês, foi anistiado e teve sua pena comutada (ou perdoada) pelo Presidente Ferdinando Marcos. Assim, ele retornou à sua vida normal, depois de uma permanência aproximada de 30 anos na selva.

Indenizado pelos anos que passou na selva, e em regime de total liberdade, Onoda decidiu vir para o Brasil. Antes porém, casou-se (por procuração), com uma professora japonesa que residia em São Paulo. Ambos, decidiram abrir uma fazenda em Mato Grosso do Sul, e ao participar de uma Exposição Agrícola em Presidente Prudente foram homenageados pela comunidade nipo-brasileira. Eu estava lá realizando a cobertura noticiosa e tive a oportunidade de entrevistar o ex-combate Hiroo Onoda, nascido em 19 de Março de 1922, e ainda vivo com seus 86 anos de idade.

As informações sobre o ex-combatente da II Guerra Mundial são as mais desencontradas: uns dizem que ele retornou ao Japão, mas vive muito bem com os rendimentos da Fazenda e cachês auferidos em palestras e cinco livros que já publicou. Um deles intitula-se:”Os 30 anos de minha guerra”, traduzido em 17 países. Inclusive ele criou uma Fundação no Japão e fez uma doação de U$ 10.000 destinada a uma escola de Lubany, onde viveu um terço de sua vida, nas Ilhas Filipinas. A Fundação ensina como sobreviver na selva com recursos naturais.

Há também inúmeras pessoas que dizem que Onoda, tem bons rendimentos no Japão atribuídos à locação de um edifício de 8 andares que ele construiu usando o que ganhou como rendimentos extras. Mas continua morando na zona rural de Campo Grande, onde é dono de uma fazenda muito valorizada, tendo um plantel selecionado de 1.700 cabeças de gado nelore, conforme orientação que lhe foi dada ao receber em Presidente Prudente os primeiros reprodutores doados por Hiroshi Yoshio.

Devido à sua dedicação à pecuária, Hiroo Onoda recebeu também expressivas homenagens da Assembléia Legislativa de Mato Grosso do Sul, outorgando-lhe o título de “Cidadão Benemérito”.



Escrito por Altino Correia - Repórter às 15h33
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




RISCOS DE VIDA OU DE MORTE?

Quantas vezes você viu a morte de perto? Se alguém fizesse esta pergunta, certamente a resposta seria totalmente diferenciada das demais pessoas questionadas a respeito. A minha seria: muitas vezes! Depois daqueles episódios na infância em que fui pisoteado durante a realização de um comício na primeira volta à democracia entre 1945/46, acabei também sendo vitima de leves queimaduras provocadas por fogos de artifício, numa brincadeira de garotos.

Na época era muito comum a promoção das chamadas “mini-guerrinhas" com o emprego de foguetinhos busca-pés. Só depois disso é que veio o episódio da queda debaixo do trem na pequena estação do Posto 867 a pouco mais de 10 km. da cidade, que minha mãe nos seus 93anos de vida, só ficou sabendo 60 anos depois.

Os filmes nacionais já estavam em evidência e começavam a despertar entusiasmo face ao sucesso da Companhia Cinematográfica Vera Cruz, que acabava de lançar seu maior sucesso: "O Cangaceiro". E como sempre existiram os espertalhões, apareceu na região um indivíduo que se auto-promovia como se fosse um dos integrantes do elenco da nova película cinematográfica.

O golpe já havia sido aplicado em outras regiões devido à popularidade do cinema, e considerando principalmente a fama da super produção brasileira. Por isso, houve também uma denúncia publicada nos jornais da época, especialmente nas páginas especializadas do jornal "A Gazeta" de São Paulo.

O fato ganhou repercussão e acabou sendo confirmado na vizinha cidade de Presidente Epitácio, onde por sinal se apresentava o falso figurante do filme. Na matéria publicada, o jornal pedia a todos os seus leitores que comunicassem o fato à autoridade policial mais próxima. Recomendava ainda que logo que aparecesse alguém com essas alegações e intitulando-se artista do filme "O Cangaceiro", tomassem as devidas precauções, comunicando-se imediatamente com a autoridade policial. Foi o que eu fiz, e por pouco não fui indiciado em inquérito pelo prepotente delegado de polícia. Por haver comentado o fato com algumas pessoas recebi um recado com a recomendação de falar pessoalmente com o "Dr" delegado .

Em princípio, admiti que a autoridade desejaria informações mais detalhadas sobre o falso artista que estava em Presidente Epitácio e que se identificava como Nilo César. Para minha surpresa, o delegado que provavelmente teria entrado na lábia do malandro, demonstrou pura e simplesmente ter tomado a defesa do chantagista passando a me fazer sérias ameaças, inclusive de processo por calúnia e difamação. A única recomendação que fiz a ele ao ser abordado foi a de procurar a redação do jornal, em São Paulo para se inteirar melhor da situação e não fazer um julgamento precipitado do que estava se passando naquela cidade.

Atuando na Televisão anos mais tarde, ví a morte de perto durante o retorno de uma viagem num bi-motor na rota de Teodoro Sampaio a Presidente Prudente. Foi logo após a inauguração oficial da Destilaria Alcídia, no Pontal do Paranapanema. Conclui a reportagem com várias entrevistas e precisaria estar na TV em tempo suficiente para editar todo o material produzido, incluindo entrevistas.

O processo mais rápido seria o de conseguir uma carona no avião de uma empresa armadora com sede em Presidente Epitácio, que estava prestes a decolar. O dono do avião ao ser solicitado atendeu prontamente ao meu pedido, com apenas uma ressalva: teria que utilizar um banquinho no corredor, porque o vôo já estava completo e mais um não teria qualquer problema.

O piloto acionou os motores e o avião avançou até o final da pista, e por pouco não bate de encontro a uma cerca de arame farpado.Eu me mantinha no banquinho que o dono do bi-motor mandou instalar. Por sorte e por Deus, o avião conseguiu decolar e ganhou altura. Foi ai que eu perguntei ao dono e ao piloto do aparelho: Não foi esse mesmo avião que há poucos dias caiu num brejo perto de Prudente? De imediato eles responderam: Foi isso mesmo! Só que o avião foi recuperado e voltou a voar. Alguns minutos depois, ocorreu o pouso bem sucedido no Aeroporto Internacional de Presidente Prudente para a minha tranqüilidade e dos demais passageiros.

Outra aventura mal sucedida aconteceu durante uma cobertura de carnaval pela TV Bandeirantes. Cumprindo pauta especial, gravamos dezenas de matérias em Presidente Prudente e na região de Araçatuba. De lá, rumamos para a região de Rio Preto. Mas foi na volta que enfrentamos o pior. Depois de várias noites sem dormir (desde Presidente Prudente), teríamos que nos deslocar até Catanduva. Lá estava programada a maior festa da região com o carnaval de rua, tradicional e famoso como um dos melhores do interior.

Nós tínhamos a responsabilidade de documentar a festa em todos os aspectos, mostrando-a com todas as cores e movimentos. Em tempo de entregar as fitas para edição do material gravado na noite anterior. Na viagem de volta, devido ao cansaço, o motorista foi o primeiro a entregar os pontos. Passou o volante para o cinegrafista Sandro Bittencourt, sob pretexto de não reunir condições suficientes para continuar dirigindo. E a viagem prosseguiu estrada a fora.

Na aproximação com o rio Tietê na SP-425 chovia copiosamente, e num trecho mal sinalizado surgiu um veículo em direção contrária com luz alta, que acabou obrigando nosso motorista a tomar o acostamento. Como conseqüência, ele perdeu o controle da direção e por incrível que pareça, o carro lotado com equipamentos e quatro ocupantes foi levado para um pequeno desvio de uma propriedade rural (em meio a uma plantação de arroz), ficando atolado num areião existente à direita da pista. Foi por Deus que nada nos aconteceu. O único trabalho foi o de retirar o carro do atoleiro e recolocá-lo no asfalto, com a ajuda de todos os seus ocupantes.

Posteriormente houve mais dois acidentes em rodovias da região, onde o motorista cochilou e por pouco não colidiu com outro veículo na Rodovia Assis Chateaubriand. Finalmente, na Raposo Tavares, ao tentar fazer uma ultrapassagem - e sem freios - ele realizou uma brusca manobra a fim de evitar uma colisão traseira com um caminhão e mais: uma colisão frontal com outro carro que trafegava em sentido contrário, o que o obrigou a tomar o acostamento à esquerda.

Fora da atividade profissional, mas trabalhando em vários órgãos de comunicação, vi a morte de perto inúmeras vezes. Nos primeiros anos da década de 80, na cidade de Presidente Prudente, um acidente na Rua Coronel Albino, ao lado do Ginásio Municipal de Esportes. Uma Kombi em que viajava, ao tentar desviar de um outro veiculo chocou-se contra uma árvore, e eu que estava à direita do motorista entrei de cabeça no pára-brisa. Levado ao Hospital, recebi sete pontos na testa. Fora as ameaças e o envolvimento involuntário em acontecimentos que marcaram os últimos anos do século 20 e os primeiros do novo milênio.

Reconhecendo que somos seres mortais, mas sempre confiante na fé e na bondade de Deus-Pai eu peço todos os dias sua benção, sua proteção e seu amor. E jamais esqueço um velho adágio popular que diz:" Ninguém morre na véspera!".



Escrito por Altino Correia - Repórter às 15h27
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




O PREFEITO QUE ENTROU PARA A HISTÓRIA

Foi na década 60 do século XX que tive a oportunidade de conhecer o prefeito Florivaldo Leal, de Presidente Prudente. Ele ingressou na carreira política pensando em trabalhar em prol da população de sua cidade, planejando governar por quatro anos de mandato outorgado pelo eleitorado que o escolheu democraticamente. Mas infelizmente ele só conseguiu cumprir metade dessa meta entre 1.964 e 1.965, porque um desequilibrado mental o sacrificou de forma impiedosa em pleno período de festas, dias antes do Natal de 65. Foi uma tragédia de ampla repercussão.

Mas para perpetuar o nome de Florivaldo Leal, as autoridades, empresários e a população mandaram construir um monumento diante do Paço Municipal como homenagem a quem “assumiu a Prefeitura Municipal com a promessa de dedicar quatro anos de sua vida à causa pública prudentina, sendo que em curto espaço de tempo entregou sua própria vida à terra que tanto amou”.

À distância ou mais propriamente em Presidente Venceslau onde me encontrava em contato permanente com a região, acompanhei tudo desde a campanha até a consagração pública de Florivaldo Leal como um dos mais jovens e atuantes prefeitos da região.

Os sonhos que ele alimentava de buscar água potável no rio Paraná para abastecer inúmeras cidades da Alta Sorocabana ganhava as manchetes dos jornais e do rádio como veículos de comunicação. Até que os políticos que estavam no início de sua administração foram bater às portas do Governo Militar sob a presidência do Marechal Castello Branco, que como água na fervura revelou que a capacidade de endividamento de todos os municípios da região, era insuficiente para arcar com aquele compromisso...

Aí vieram outros planos, alguns bastante arrojados incluindo o Consórcio de Televisão – Sertepp – que garantiu a recepção e transmissão dos primeiros sinais de TV para a região de Presidente Prudente. Foi mais um projeto pioneiro que se concretizou naquela época. Os demais ficaram para outros governantes, porque Florivaldo Leal que tinha planos e sonhos mirabolantes teve sua vida ceifada prematuramente.

Ao me transferir para Presidente Prudente à convite de Geraldo Soller para dirigir a ZYR-84, tive em 1.968 a difícil missão de realizar do Fórum da Comarca a cobertura do julgamento do assassino de Florivaldo Leal. Em princípio surgiram alguns obstáculos, prontamente solucionados com a compreensão e boa vontade do então Juiz de Direito, Dr.José Fernandes Rama que me permitiu acesso direto ao Tribunal do Júri para a transmissão do julgamento a toda a região.

O magistrado considerou a relevância dos fatos e principalmente o interesse de toda a população local e regional em acompanhar o julgamento, já que o espaço físico do auditório para a assistência era considerado insuficiente. Assim, entrei para a história como o único repórter a cobrir aquele acontecimento com exclusividade para a Rádio Presidente Prudente. Uma cópia de todo o julgamento (em fita magnética) foi entregue como doação ao Museu Histórico Municipal.

O autor do assassinato foi considerado culpado,mas considerando outros fatores de ordem psiquiátrica foi condenado a cumprir pena em estabelecimento apropriado. Depois correram rumores de que havia foi morto após uma fuga frustrada, o que não foi confirmado.

Trinta e sete anos depois, mais propriamente no dia 21 de Abril do ano de 2005 – em pleno século XXI – a população amanheceu sabendo que a estátua do querido e saudoso prefeito, barbaramente sacrificado a golpes de cabo de picareta por um desajustado que prestava serviços braçais à municipalidade sofreu um novo e rude golpe: o monumento em sua homenagem, ao lado do Paço Municipal foi arremessado ao chão e a estátua em bronze danificada seriamente por ato de vandalismo O pior é que ninguém viu. Nem mesmo um guarda municipal que cuidava da vigilância naquele local

O que se estranha é a omissão de muita gente que naquela hora deveria estar passando pelo local. Inclui-se até mesmo a Polícia Militar que recebeu da Prefeitura, permissão e apoio para montar uma base operacional nas imediações, ou seja a menos de 20 metros do local. Interpelados, os policiais disseram nada ter visto e alguns, 24 horas depois ainda ignoravam a ocorrência desse revoltante ato de vandalismo com danos ao patrimônio público municipal. A estátua foi recuperada e reinstalada na Praça, bem ao lado do Paço Municipal Florivaldo Leal.



Escrito por Altino Correia - Repórter às 15h23
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




DEITA NA’’CHÃO’’

No Calçadão de Presidente Prudente sempre foi possível o encontro de pessoas das mais populares, amigos dos velhos tempos, novos amigos e personalidades que a gente jamais esquece. Nos últimos anos do século vinte, uma pessoa de presença obrigatória no Calçadão era o sr. Yoseph, ou José como todos o conheciam. Ele foi comerciante dos mais destacados naquela artéria central da cidade, mas com o passar dos anos decidiu locar seu ponto comercial e viver de rendas. Ai partiu para um tipo de negócio rentável, porem sujeito a muitas perdas: transações com dólares, comprando ou vendendo a moeda estrangeira ao mesmo tempo.

Por se tratar de um negócio muito procurado e altamente rendoso, ele se tornou o homem mais bem informado sobre a cotação diária. Porque acompanhava atentamente o noticiário do rádio, TV e ainda lia pacientemente todos os comentários assinados pelos maiores economistas nos jornais e revistas.

O negócio até certo ponto foi altamente vantajoso e prospero à medida que aumentava a cotação e a procura por dólares. Mas com o aumento da violência, o sr. Yoseph como inúmeras outras personalidades, acabou por receber a inconveniente visita dos amigos do alheio, isto é, alguns assaltantes que lhe fizeram uma visita de surpresa após descobrir a localização de sua residência no bairro do bosque.

Para minha surpresa, eu que o conhecia muito bem e me tornei um de seus amigos fui também testemunha do que ele relatou à autoridade policial ao ser encaminhado ao plantão de polícia para registrar um boletim de ocorrência sobre assalto. Um tanto nervoso, seo Yoseph contou que estava em casa com as portas abertas, quando inesperadamente se deparou na sala com dois ou três elementos estanhos, que lhe apontaram uma arma e disseram: “Deita na chão”. Eu deitô. Depois, dá dinheiro, eu dá. Entrega relógio, eu entregô. Dá jóia, eu entrega jóia de ouro. Abre cofre e dá cheque, eu abriu cofre e entrega cheques sem fundos. Aí, eles fugiram do meu casa e eu veio fazer queixa no Polícia...

A figura do seo Yoseph é sempre lembrada em Presidente Prudente por muitos amigos e principalmente pessoas que freqüentam o Calçadão da Maffei. Mesmo porque ele esteve internado por vários meses, recebendo de sua família, toda a assistência médica e hospitalar indispensável . Mas seo Yoseph não resistiu e acabou partindo para outra dimensão. Foi uma figura notável que também deixou saudades...



Escrito por Altino Correia - Repórter às 15h20
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




QUEM GOSTA DE LAGOSTA ?

A maioria da população brasileira não sabe ou nunca ouvir falar no significado da palavra Lagosta. E os poucos brasileiros que a conhecem, certamente nunca a saborearam por ser um prático raríssimo e um produto típico dos ricos. Foi em 1.963, numa memorável viagem a Brasília, à convite do governo João Goulart que eu e dezenas de líderes sindicais e representantes da imprensa e rádio da alta sorocabana tivemos o privilégio de conhecer a nova capital da república e saborear num banquete uma deliciosa lagosta.

Quanto custou esse prato ninguém sabe. Mas alem do banquete com lagosta e um variado e luxuoso cardápio todos os dias, ainda tivemos a feliz oportunidade de viajar de graça – ida e volta – num Avro Presidencial, que veio nos buscar e trazer de volta em Presidente Prudente. O governo populista de Jango precisava demonstrar sua estabilidade, e por isso, decidiu pedir apoio às lideranças sindicais, com acompanhamento da imprensa e rádio da época.

Em Brasília, fomos muito bem acolhidos sendo ciceroniados pelo prudentino José Carlos Fernandes, de saudosa memória que era assessor especial da presidência da república. Com ele, nos sentíamos em casa, pois alem de gozar de grande prestigio entre os dirigentes políticos da época, foi um dos que se empenhou a fundo em levar até a capital do país, as lideranças sindicais da época. E com os líderes sindicais, os mais autênticos profissionais de imprensa e rádio. Com ele, percorremos os mais importantes setores governamentais do país, as universidades e as empresas dedicadas ao setor de comunicações.

Para nossa hospedagem foi designado o Hotel Nacional, com reservas antecipadas com direito a refeições de luxo, a começar por um cardápio com pratos finos com lagosta e outras raridades. Na audiência com o presidente João Goulart e seus principais ministros, pudemos expor nossas reivindicações com imprensa, rádio e tv dando cobertura total. Eu mesmo fui designado para comandar pela Agência Nacional uma cadeia de emissoras de rádio e no período noturno, um programa de entrevistas na TV Nacional de Brasília, com quinze minutos de duração.

O fotógrafo Pachá, um dos mais conhecidos da região acompanhou a caravana como convidado especial. Documentou em fotografias todos os detalhes da viagem, e ainda faturou alto vendendo os álbuns como uma boa lembrança de uma fase histórica para o Brasil e os brasileiros. Desestabilizado, o governo João Goulart foi buscar apoio junto às bases do sindicalismo, mas essa iniciativa foi mal sucedida. Muitos dos que participaram da caravana sindicalista conseguiram importantes cargos na administração pública.

Alguns até se aposentaram nos últimos anos. Assim mesmo, cresceu o descontentamento popular e os militares se aproveitaram da situação para aplicar o golpe, depor o presidente e assumir o comando da nação na noite de 31 de março de 1.964. Uma junta militar chefiada pelo marechal Humberto de Alencar Castello Branco assumiu o governo e aplicou medidas excepcionais para dirigir o país durante vinte e um anos.



Escrito por Altino Correia - Repórter às 17h24
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




OURO PARA O BEM DO BRASIL

O ouro sempre foi considerado um metal precioso e de alta valorização. É a melhor poupança que se pode imaginar, pois nunca perde sua autenticidade. Entretanto, a história brasileira registra dois períodos importantes em que o ouro foi o principal fator econômico para garantir o sucesso de duas revoluções, na década de 30 e na década 60.

Da primeira campanha, tenho apenas alguns testemunhos colhidos durante minha atividade profissional. Mas foi no governo implantado pelos militares (a partir de 1964), que pude acompanhar detalhe por detalhe como testemunha ocular da história.

Nessas ocasiões é que surgem os “Salvadores da Pátria”.Eles chegam sutilmente, e num curto espaço de tempo partem em busca do apoio da sofrida população brasileira com o único propósito: galgar os maiores degraus para se chegar ao Poder. Como os políticos de hoje, eles defendem em suas pregações a ideologia dominante. Ao mesmo tempo, procuram dar ênfase ao apelo da mídia., defendendo na maioria das vezes, grupos econômicos interessados em tirar proveito da situação.

Foi assim que surgiu a campanha: “Ouro para o bem do Brasil” lançada primeiramente nos anos da década de 1930 pelo jornalista e empresário Assis Chateaubriand. Foi logo depois de uma crise mundial, que começou em 1929 e arrasou com as economias mundiais, inclusive do Brasil..

Essa mesma medida - de caráter patriótico – foi reeditada logo após a retomada do Poder pelos militares de 1.964. Foi no governo autoritário, quando o país passou a ser dirigido pelo Marechal Humberto de Alencar Castello Branco. Eu mesmo me comovi com os apelos da época e prontamente me coloquei à disposição dos governantes, dando a mais ampla cobertura a esse movimento.

As arrecadações destinadas à campanha “Ouro para o bem do Brasil”, teve ressonância e ampla aceitação em todo o Brasil. Para receber doações (em ouro) não se faziam restrições ao tipo de objeto ou peça que eram oferecidos expontâneamente, desde anéis, brincos, relógios, pulseiras, alianças e correntões de ouro. Era um novo estilo de administração, impondo medidas rigorosas e de forma autoritária. E embora tenha contrariado alguns interesses até os corruptos que queriam se aproximar acabavam sendo punidos com a cassação dos direitos políticos e até o exílio..

Não demorou muito, e em pleno governo militar as atenções se voltaram para Serra Pelada, onde o ouro foi o maior chamarisco para milhares de garimpeiros. A exploração das jazidas entretanto, foi entregue a grupos de grande poder econômico, ou as célebres multinacionais que passaram a explorar a mineração de forma integral. O ouro era constante, e muitas vezes despertava a curiosidade do mundo exterior, que fazia interpelações para saber como foi possível ao Brasil produzir tanto ouro e ter uma dívida externa tão alta. Só uma pepita – como exemplo – descoberta em Serra Pelada e amplamente divulgada, pesava 36 quilos. Mas quando essa pepita chegou a Brasília, não tinha mais do que um quilo.

De todos os locais utilizados para coletas de peças de ouro, saíram sacos e mais sacos lotados. Muitos casais doaram suas próprias alianças, na certeza de que estavam prestando um grande serviço à nação, ajudando a pagar a dívida externa e facilitando as aquisições que visavam melhores condições de vida para a população.

O que ninguém na época, e posteriormente pôde avaliar, foi o elevado espírito de solidariedade e patriotismo verificado a esse tempo do século passado, nem tão pouco o grande interesse dos estabelecimentos de crédito. Em especial: os grandes Bancos da década 60 e os que sobreviveram com lucros astronômicos até os dias atuais. Mas ficou a interrogação: será que a renda obtida com essas doações teve destinação certa? Para onde foram, para quem e quais os resultados? Uma coisa é certa: ninguém ficou sabendo o montante da arrecadação.

Decorridos 44 ou 78 anos, já era tempo de haver uma explicação. Como dizia o consagrado humorista brasileiro Amácio Mazzaropi: “O que ouro não arruma, não tem mais arrumação”. Cadê o ouro para o bem do Brasil?



Escrito por Altino Correia - Repórter às 17h21
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




A NOITE EM QUE MORREU HERZOG

A imprensa brasileira vem se ocupando há mais de 30 anos com os fatos que envolveram a morte do jornalista Wladimir Herzog.Foi um triste episódio da historia de nossa imprensa, amordaçada na maioria das vezes pelos ditadores que ocupam o poder, em todos os pontos do planeta.

Ocorre, que nem sempre a ditadura é exercida por militares. Basta subir os degraus para mudar o comportamento em relação aos que estão abaixo, sejam eles da direita, do centro ou da esquerda. Até mesmo os chamados "democratas" têm atitudes incompatíveis com o que pregam, antes e depois de assumir postos superiores.

Na noite em que morreu o jornalista Wladimir Herzog eram os militares que estavam na chefia da nação. No governo do estado,uma figura nomeada pelo partido governista, a ARENA. Herzog fazia parte de uma assessoria, ocupando importante função na TV Cultura.

A meu convite, encontrava-se em Presidente Prudente o jornalista Audálio Dantas, então Presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de São Paulo. Ao término de uma palestra para estudantes da Associação Prudentina de Educação e Cultura - Apec – posteriormente entidade mantenedora do que viria a ser a Universidade do Oeste Paulista (Unoeste), a chocante notícia: a morte de Wladimir Herzog, que caiu como um bomba!

Audálio ficou atordoado por alguns momentos, até que retomou sua posição de líder de um dos mais importantes sindicatos profissionais do país, Por via telefônica, ele se comunicou com vários colegas e diretores do sindicato no sentido de adotar alguma medida, não só para acompanhar os acontecimentos, mas apurar o que de verdadeiro havia acontecido de forma tão cruel e surpreendente. Ninguém se arriscava a dar qualquer prognóstico, mesmo porque o acesso ao local da tragédia era cercado de mistério total. A única referência era o ponto em que se verificaram os fatos: dependências do DOI-CODI em São Paulo.

Desinformado por algumas horas, somente depois é que o Presidente do Sindicato ficou sabendo das circunstâncias em que ocorreu a tragédia. Sem possibilidade de acompanhar o transe por se encontrar a mais de 600 km. de distância, Audálio Dantas continuou mantendo conversações via fone na tentativa de fazer alguma coisa, sem entretanto avaliar o que havia provocado aquela situação intempestiva e em conseqüência, a impiedosa execução daquele conhecido profissional de imprensa que se achava a serviço do Governo do Estado.

Nas horas seguintes, num domingo, com a cooperação deum piloto da TAM - empresa aérea que atendia a região através dos aviões Bandeirante - o jornalista conseguiu deixar a cidade para se dedicar ao acompanhamento do caso, em São Paulo. O avião estava lotado, e a única solução para resolver o problema da viagem foi colocar um “banquinho”entre a tripulação e os passageiros para acomodá-lo precariamente.Concluída a viagem, já na capital do estado, Audálio deu início a uma minuciosa investigação para saber as causas da morte de Wladimir Herzog. O resultado todos conhecem.

Como forma de apoio e reconhecimento, a família Herzog foi indenizada pelo Governo Federal pelos danos morais causados por sua morte. E os culpados, será que foram punidos conforme se esperava? Só o próprio Audálio Dantas é que poderá esclarecer, pois já se passaram quase 40 anos, desde a noite em que ocorreu o trágico acontecimento que tirou a vida do jornalista e enlutou o País e toda a imprensa brasileira...



Escrito por Altino Correia - Repórter às 17h11
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




SUPERMERCADOS OU AUTO-SERVIÇOS?

Durante os anos da década 60, foram instalados nesta região os primeiros Supermercados. Foi uma nova alternativa adotada pelo comércio para substituir os antigos Armazéns de Secos e Molhados, os Empórios e Mercearias que abasteciam a população regional com gêneros alimentícios. Em sua maior parte, esses estabelecimentos eram supridos pelas grandes redes de empresas atacadistas sob controle de poderosos grupos econômicos sediados em São Paulo. O Sr. Braz Gonçalves Ferreira (de saudosa memória) foi um desses caixeiros viajantes que percorria toda a região a fim de atender à sua vasta clientela. Por sua comprovada eficiência, acabou sendo designado pela diretoria da empresa que ele tão bem representava para gerenciar as filiais de Presidente Prudente, mais tarde transformadas em Supermercados Pastorinho.

Foi na cidade de Presidente Epitácio, que eu tive o privilégio de dar cobertura à inauguração do primeiro Supermercado desta região. Seu proprietário, José Pereira Neto já operava no ramo de secos e molhados, e foi um dos primeiros a adotar a idéia que criou o chamado Auto-Serviço, posteriormente transformado em Supermercados Neto. A inauguração festiva se deu numa manhã do ano de 1.963, num clima de muita euforia prestigiado por autoridades e convidados especiais. Com transmissão "ao vivo" pela Rádio Presidente Venceslau, eu narrei minuciosamente todos os detalhes da inauguração: a abertura das portas, a entrada das autoridades e visitantes, a benção (em latim) seguida pelas palavras litúrgicas do Pe. Olívio Reato, os discursos, o foguetório e a banda de música. Tudo foi gravado, com uma cópia em k-sete, entregue muitos anos depois e que eu conservo até hoje.

Na minha mudança para Presidente Prudente no primeiro dia do ano de 1968, tive novamente a oportunidade de transmitir a inauguração de um outro Auto-Serviço - também transformado em Supermercado Avenida - que funcionou por muitos anos na Avenida Washington Luiz, defronte ao Colégio Cristo Rei.

Já nos anos da década de 80, acompanhei a instalação de outros Supermercados, a maioria originário das grandes redes de atacadistas, que passaram a trabalhar também no ramo como varejistas: Carvoeiro, da Rede J. Alves Verissimo. E posteriormente Eldorado, sob a direção do Sr. Eduardo Pires. Vieram ainda os Supermercados Pastorinho, Casa Moreira, da Rede Gentil Alves Moreira e Supermercados Luzitana, do grande empresário de Lins, José Luiz dos Santos. Outros grupos empresariais também vieram de outras regiões e até de outros estados para engrandecer o mercado regional.

Nos últimos anos do século passado e nos primeiros anos do século 2l, o destaque é para os Supermercados da Rede Carrefour - sucedendo o Eldorado - e mais: Supermercados Avenida (com matriz em Assis), Supermercados Nagai (com matriz em Martinópolis), Supermercados Estrela (com matriz em Regente Feijó), Supermercados Mufatto (com matriz em Londrina/Pr), Supermercados Econômico da Gente (centro e Jd.Aviação), Supermercado Econômico (com matriz em Pirapozinho) e outros de porte menor como: o Supermercados Mariana, Sanna e Zona Leste, Supermercado P.P. na Av. Manoel Goulart, Nossa Casa, na rua Cel. Albino, Sublime, na Av. Pe. João Goetz, Santa Tereza, na Av. Sandoval Filho e outros, espalhados por toda a cidade de Presidente Prudente.

O mais recente Supermercado que se instalou na cidade de Presidente Prudente, foi o mesmo que eu tive o prazer e a honra de inaugurar há 45 anos em Presidente Epitácio. Trata-se da primeira filial do Supermercado Neto, criado pelo espírito de pioneirismo do Sr. José Pereira Neto, transferido para o seu sucessor, Sr. Aparecido Omote e sua família como o primeiro Auto-Serviço Regional. Desde então, o Supermercado cresceu e conquistou novos espaços, para abastecer um amplo reduto que se estende do oeste paulista até as cidades mais próximas do vizinho estado de Mato Grosso do Sul.



Escrito por Altino Correia - Repórter às 17h05
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




JOSÉ APARECIDO, UM BALUARTE

Durante os vinte e cinco anos que atuei como correspondente da Folha de São Paulo, Agência Folhas e outros jornais do grupo recebi do companheiro José Aparecido (de saudosa memória) as mais expressivas manifestações de apoio e solidariedade. Ele, alem de brilhante repórter foi o Editor Regional por muitos anos, tendo incentivado minha atuação durante todo o período em que cumprimos pautas e realizamos centenas de reportagens. Foi um jornalismo investigativo que produziu bons frutos e contribuiu ao mesmo tempo para manter a região em constante foco.

Quando surgiram notícias de massacre da família Kuraki por ordens de um prepotente fazendeiro do Campinal , e posteriormente morto por ação de um grupo de extermínio, José Aparecido que comigo cobriu o episódio com amplas reportagens passou a ser apontado como mandante e incentivador do atentado. Mas tudo acabou sendo esclarecido com a prisão de um estranho conhecido pelo pseudônimo de “Gaúcho”, posteriormente envolvido com o seqüestro de um diplomata norte americano, sendo por ordens dos militares exilado e deportado para o Chile.

Numa das últimas vezes que estive com José Aparecido, foi na Santa Casa de Presidente Prudente em Agosto de 2003. Ele havia passado por uma delicada cirurgia, depois de contrair um câncer de bexiga. Ainda no leito hospitalar solicitou meu testemunhal a respeito do caso, pois pretendia editar um livro. Onde contaria em detalhes o triste episódio envolvendo o fazendeiro José da Conceição Gonçalves - conhecido por “Zé Dico” - e o seu melancólico fim, numa execução em forma de represália no Distrito do Campinal, muncípio de Presidente Epitácio.

O relato foi este: “O ano de 1.967 transcorria normalmente. O chamado “Governo Autoritário” da época, mostrava-se atento a todo e qualquer movimento subversivo, desde que foi implantado com o golpe militar que derrubou o então Presidente João Goulart em 31 de março de 64. Mas em determinados pontos do sudoeste paulista a situação não era boa. A luta pela ocupação da terra estava criando um clima de tensão, que nem o próprio governo conhecia. É que as notícias não chegavam ao seu conhecimento, porque determinadas autoridades faziam vistas grossas do que estava se passando.

Um dos pontos críticos era a área adjacente à Lagoa São Paulo e o Distrito de Campinal, às margens do Rio Paraná, município de Paresidente Epitácio. Ali, o fazendeiro José da Conceição Gonçalves (Zé Dico) ocupava uma extensa área agricultável, porem transformada em pastagens após as derrubadas de muitas matas ciliares até então existentes na região.

Foi o próprio fazendeiro que teria arrebanhado grande número de trabalhadores volantes para essa operação. Isto é, derrubar o mato e plantar capim. Desses trabalhadores foi identificado Paulo Kuraki, que ao reclamar seus direitos foi enxotado da fazenda e ameaçado de morte por pistoleiros contratados especialmente para a operação. Daí resultou uma série de desentendimentos, e conseqüentemente a morte de Kuraki juntamente com um filho que o acompanhava na retirada do local.

Esses fatos entretanto, só chegaram ao conhecimento da imprensa quando um dos pescadores que freqüentava aquela área decidiu botar a“boca no trombone” e pedir justiça às autoridades. Seu nome: Sílvio Papacosta. Esse episódio marcou o início de uma era de tensão e pavor entre os moradores do local. É que as ameaças continuavam, e a maioria silenciava, com receio de retaliações e atos de vingança. A repercussão porem, foi mais longe.

E o estopim aceso meses depois com a chegada de um grupo desconhecido, que apoiado pelos trabalhadores injustiçados que viviam às margens do rio acabou tomando de assalto a mansão do fazendeiro. Aliás, uma edificação luxuosa, que contrastava totalmente com as taperas e ranchos de pau-a-pique existentes em número impressionante, naquela área.

Por conseqüência, o assalto à propriedade rural culminou com a execução do proprietário e também de um de seus filhos, em plena madrugada, como se fosse o troco pelo brutal assassinato dos Kuraki. Depois que o assunto ganhou as manchetes dos jornais e o destaque da mídia em todos os setores do país, esperava-se uma ação enérgica das autoridades policiais, ao contrário do que havia ocorrido meses antes com a morte de Paulo Kuraki e um de seus filhos.

Antes de qualquer ação ou procedimento para identificar os autores da morte de José da Conceição Gonçalves, a Polícia insinuava que o mistério seria facilmente desvendado, pois a ação criminosa teria sido organizada previamente na capital do estado. E o mais grave: um jornalista muito conhecido na região por trabalhar num jornal de grande circulação “estaria por trás de tudo”. Como característica acrescentava o informante: usava um boné facilmente identificado pelas fotos anteriores reproduzidas em matérias que ele havia produzido e editado.

O jornalista apontado pelo informante policial, não seria outro senão José Aparecido! E a acusação, posteriormente desmentida, teria partido de um delegado de polícia que atuava nas investigações sobre o caso. O autor verdadeiro dos crimes, só foi identificado dias depois. Era o “Gaúcho”, uma estranha figura envolvida em questões fundiárias e políticas, que combatia a ditadura militar implantada no país a partir de 31 de março de 64, onde o seu propósito não seria outro senão buscar apoio e simpatia das esquerdas dominantes da época.

Foi assim agindo, que ele (Gaúcho) seqüestrou em São Paulo um diplomata norte americano, e acabou sendo preso. Mas, na primeira oportunidade se fez incluir numa lista de exilados que embarcou para o Chile, e nunca mais deu notícia de seu paradeiro.



Escrito por Altino Correia - Repórter às 16h43
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]


[ página principal ] [ ver mensagens anteriores ]


 
Meu perfil
Altino Correia, jornalista. Mais de 50 anos de atividades profissionais em Rádio, Jornal e TV. Ex-correspondente do Estadão, Folha, JB e O Globo (freelancer).


Menu
  Todas as Categorias
  Memórias de um Repórter
  Notícias
  Informes
  Fotos
Histórico
    Manutenção do Blog
    por Lucas Meneguette

    contato:
    cel: (18) 9711-7281
    email: lucasmeneguette@hotmail.com
    Votação
      Dê uma nota para meu blog