MEMÓRIAS DE UM REPÓRTER (DO INTERIOR)

Memórias de um Repórter



FOTOGRAFIAS E FOTÓGRAFOS

A fotografia traz sempre algo agradável para nossa lembrança ou o replay de um acontecimento memorável, agradável ou triste. Entre as pessoas que visualizamos na maioria das vezes, aparecem aqueles com quem convivemos ou simplesmente estão faltando em nosso meio. Aí entra em cena o fotógrafo!

A atividade desses profissionais tem papel de alta importância há longo tempo. Nos jornais, somente depois de muita luta é que se tornou possível dar crédito, isto é, registrar os nomes dos autores das fotos em matérias jornalísticas, nacionais ou internacionais.

Foi num Congresso Estadual de Jornalistas realizado em Piracicaba, que eu tive a oportunidade de propor que em todas as matérias de jornais onde a chamada principal exige foto, se faça constar obrigatoriamente o nome do fotógrafo, como também o autor da matéria. Embora nem sempre os editores façam constar esses créditos, a maioria adotou essa proposta, o que demonstra ter havido aceitação, como forma de de reconhecimento.

Tempos atrás, quando prestava serviços ao jornal O Imparcial de Presidente Prudente me foi dada a incumbência de fazer uma matéria sobre os profissionais da fotografia que deliberaram promover um encontro, a fim de debater assuntos de seu interesse na sede da Associação Comercial e Industrial.

Logicamente, o assunto pautado para discussão falava sobre a valorização das fotografias de cunho comercial ou social, de maior interesse para os estúdios fotográficos. Em se tratando de empresas comerciais, o objetivo era um só: exigir reajuste de preços para o atendimento público, considerando antes de mais nada que o texto jornalístico estaria exigindo uma bela e expressiva foto com todos os profissionais reunidos. Mas, e daí ?

Não me competia levar máquina fotográfica ou solicitar um fotógrafo do Jornal para documentar o encontro. Mesmo porque eles têm muito mais competência e categoria do que o repórter que bate fotografias por exigência da matéria e da empresa jornalística.

O melhor é não se envolver em seara alheia ! Mas acreditem se quiserem: nenhum deles naquele momento tinha máquina fotográfica para documentar o grande encontro regional. Para salvar a situação e as aparências, acabei por fazer a matéria e a fotografia de amador, completando assim o trabalho exigido pelo jornal, enquanto competia ao mesmo tempo com os profissionais de fotografia.

Em outra ocasião - juntamente com a família - fiz uma excursão ao Paraguai. Desejava rever amigos que residiam em Assunção, e tive também a excelente oportunidade de conhecer um dos mais belos pontos turísticos daquele país vizinho.

Depois de transpor a fronteira brasileira, não via a hora de alcançar o maravilhoso e decantado Lago Ypacaraí. O sol já estava inclinando para o poente, e eu acelerava o automóvel cada vez mais para documentar numa foto comum, a beleza e os encantos daquele famoso recanto, que é um dos mais conhecidos pontos turísticos, em pleno crepúsculo.

A máquina fotográfica não era grande coisa e o fotógrafo idem. Mas assim mesmo, eu me arrisquei; e ainda houve tempo para bater duas fotos em preto e branco. Seria uma das maneiras de documentar o entardecer no Ypacaraí, tão falado em prosa e versos numa das mais belas músicas da fronteira Brasil-Paraguai.

Ao revelar o filme em Presidente Prudente, um amigo, (profissional da fotografia), achou o registro de imagens tão impressionante que perguntou-me se o autorizava a inscrever uma daquelas fotos num concurso regional. Concordei. E dias depois, para minha surpresa a foto mereceu destaque no concurso, sendo escolhida como uma das premiadas.

Entusiasmado com o resultado dessa classificação, inscrevi outros trabalhos nos concursos realizados posteriormente. Mas desta vez, a premiação não foi das melhores. Uma das fotos coloridas que eu cliquei mostrava meu primeiro neto, Thiago nos seus primeiros meses de vida. Ele atualmente, com formação acadêmica e especialização em publicidade, é um categorizado profissional, com vários prêmios conquistados no do ramo publicitário.

A fotografia do meu primeiro neto foi classificada em quarto ou quinto lugares. Nem mais, nem menos. Talvez uma insignificante premiação, mas como incentivo, um novo troféu para a coleção. Hoje na era digital e com novos e avançados recursos tecnológicos, cumpro mais uma etapa na área das comunicações, fazendo as vezes de fotógrafo amador. .

E aproveito para homenagear os grandes profissionais da fotografia. Sejam eles repórteres fotográficos dos grandes, médios ou pequenos jornais. Porém, jamais deixando de valorizar meus colegas que fazem da fotografia, uma arte permanente e indispensável.



Escrito por Altino Correia - Repórter às 13h58
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AS ‘‘GAFES’’ DOS POLÍTICOS

Nas campanhas eleitorais desenvolvidas no país no decorrer dos últimos 50 anos sempre se ressaltou a presença dos candidatos, seus discursos, seu comportamento e suas gafes. No passado, Adhemar de Barros era a figura popular e mais pitoresca, seguido de perto pelo seu principal adversário, Jânio Quadros. As charges produzidas pelos cartunistas da época mostram o lado crítico de cada político, que tanto podem promovê-los como também deixá-los em situação constrangedora perante o eleitorado.

Houve mesmo casos em que os candidatos foram transformados em motivos de “chacotas” do próprio eleitorado, e principalmente de seus adversários. Ridicularizados em público, esses candidatos só perderam prestigio e votos, ao invés de contabilizar saldos positivos através da transformação de suas imagens durante a campanha eleitoral.

Em 1.965 quando desembarcava no Aeroporto de Presidente Epitácio a fim de aguardar a chegada do então presidente Castello Branco, Adhemar (que era o Governador de São Paulo), estava com a bexiga estourando e não via a hora de ter alguns segundos livres para fazer xixi. Foi aí, que ele interrompeu os apertos de mãos que estava recebendo dos correligionários que o recepcionavam e pediu que fizessem uma “rodinha” em volta dele. A finalidade não era outra: verter água para poder se aliviar.

Nesse exato momento, se aproxima uma respeitável senhora, muito conhecida e amiga pessoal do então Governador. Era uma correligionária confiável, que fazia parte do Partido político e pela intimidade com o pessoal do Palácio, era tratada como comadre do Dr. Adhemar.

Ela com toda certeza nem percebeu o que estava acontecendo, e a todo custo queria estar mais próxima do líder pessepista para abraçá-lo e cumprimentá-lo. Foi nessa altura que sem a menor cerimônia a mulher avançou o sinal e insistiu: “Dr. Adhemar, Dr. Adhemar: eu quero lhe dar um abraço muito forte”. E ele muito tranqüilo olhou para a comadre e disse: Por favor, espere um minutinho só, porque agora estou com a mão ocupada...

O ex-governador, ex-prefeito de São Paulo e atual deputado federal, Paulo Salim Maluf que muitos diziam ter memória fotográfica, esteve nesta região muitas vezes. Na instalação de um governo itinerante em Presidente Prudente - ao ser recepcionado - usou o microfone para agradecer citando nominalmente diversas pessoas. Entre elas, uma que denominou “Angelina”.

A citação se repetiu por quatro ou cinco vezes, sem que ninguém pudesse entender. Numa transmissão radiofônica “ao vivo” que eu estava conduzindo, admití que estaria havendo um equívoco, apesar da memória fotográfica do orador. E o alertei, que “não era Angelina, mas sim Auxiliadora”. E o então governador Paulo Maluf (com sua habilidade) corrigiu na hora, justificando que Angelina era uma outra pessoa que ele tinha grande consideração, mas que lamentavelmente não se achava presente. Auxiliadora sim, estava ao seu lado, de corpo e alma.

Outro que cometeu uma grande gafe, foi o ex-candidato a Governador, Antonio Ermírio de Morais. Ele percorria as cidades do Pontal o Paranapanema em campanha ao Governo do Estado. Era Setembro e a escala de visitas terminaria no recinto de exposições, onde já eram realizadas as grandes mostras da pecuária regional de Presidente Prudente.

Nos seus pronunciamentos, Antonio Ermírio se limitava a falar da situação em que se encontrava a economia de São Paulo, considerando sempre a presença dos profissionais de imprensa que o acompanhavam na cobertura. Entretanto, ao se pronunciar em Mirante do Paranapanema, ele admitiu que todos os jornalistas já haviam se retirado, pois teriam a etapa mais importante em Presidente Prudente. Com isso, ele poderia falar à vontade porque seu discurso não seria registrado pela grande imprensa. Puro engano: eu estava lá e cobria para a Folha de São Paulo. E ele disse: “São Paulo é um estado às portas da falência”.

Tudo foi gravado e reproduzido no texto enviado imediatamente para São Paulo. Como São Tomé, o Editor não acreditou que essa frase teria partido de Antonio Ermírio. E questionou: Ele falou isso mesmo? Sim, foi a minha resposta. Falou em voz clara e eu posso provar agora mesmo. Está aqui, no meu gravador. Você quer ouvir? Sim. Vamos conferir...

No início da noite, ao chegar ao recinto de exposições de Prudente, todos os assessores da campanha vieram me abordar para saber se era verdade o que eu havia passado para a Folha. Sim, confirmei tudo e os outros jornalistas que cobriam o acontecimento também quiseram ouvir a gravação em k-sete, reproduzida várias vezes com toda clareza.

Tudo que foi dito pelo então candidato figurou na matéria política mais importante do dia seguinte, ocupando a primeira página da Folha de São Paulo e de outros jornais que me entrevistaram. O pronunciamento e a matéria polêmica tiveram a mais ampla repercussão, não só em São Paulo, mas em todo o país.



Escrito por Altino Correia - Repórter às 13h07
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“SOPA DE PARAFUSOS’’

Pode até parecer estranho, mas a quem é dado à gastronomia estaria com certeza admitindo o surgimento de um novo cardápio de massas. E pela lógica, seria utilizada como matéria prima principal um determinado tipo de pasta habitualmente encontrada em estabelecimentos especializados ou nos locais destinados ao abastecimento de gêneros alimentícios. Porém, a estória era outra.

Logo que surgiu o Partido dos Trabalhadores - PT - em decorrência do movimento que envolvia os metalúrgicos do ABC tendo Lula como líder principal, tornou-se comum a referência de “parafuso” como símbolo de uma classe empenhada em greves e mais greves, que sacudiram o país por muito tempo, com o apoio da CUT ou da Força Sindical.

Aqui mesmo na região de Presidente Prudente foram muitas as contestações, que no final acabaram por promover um novo partido e muitos dirigentes num certo período, o que contribuiu também para a eleição de alguns Prefeitos e Vereadores. Presidente Venceslau foi um exemplo dessa situação até há poucos meses. Mas a chamada sopa de “parafusos” só aconteceu mesmo em outra localidade, bem próxima a Presidente Prudente.

Um antigo Assessor Parlamentar ligado inicialmente ao PTB e depois à Aliança Renovadora Nacional (Arena), decidiu promover um churrasco em sua propriedade rural, com propósitos políticos. Convidou “Deus e todo mundo” dizendo tratar-se de uma confraternização, que no fundo não tinha outro propósito senão o de promover um encontro político em favor de seu partido e de seu próprio nome.

Quem milita na imprensa, rádio ou televisão (como é o nosso caso), constantemente se vê assediado por esse tipo de personalidade. O objetivo não é nada mais, nada menos, que demonstrar prestígio e força política. Foi assim que a festa começou no horário previsto; porém, com uma afluência que superou todas as previsões.

E o churrasco que foi previamente preparado com uma previsão mínima, acabou superando as expectativas e os visitantes somavam três vezes mais o que se previa, deixando o anfitrião em delicada situação.

Enquanto os convidados esperavam pelos comes e bebes, o assunto dominante passou a ser a política e os problemas econômicos da época. Nesse momento, o PT e as greves dos metalúrgicos se transformaram em alvo para a discussão, com bombardeio e críticas as mais contundentes. Nisso, o anfitrião que se sentiu prestigiado com as opiniões manifestadas pelos convidados partiu para a ofensiva e convidou quem estivesse com fome a esperar pela sopa de “parafusos”.

Foi esse cardápio que tirou o apetite de muita gente. Alguns preferiram tomar o caminho de casa, porque churrasco mesmo só foi servido para uma minoria que tomou a dianteira e se apoderou dos primeiros espetos que acabavam de sair do fogo de chão. Assim, a sopa de “parafusos” sugerida pelo anfitrião ficou para outra oportunidade, que jamais aconteceu...



Escrito por Altino Correia - Repórter às 10h23
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O ESTRANHO SOM DO GONGO

Quem viveu a antiga era do rádio, certamente saberá definir o significado atribuído ao som do “Gongo”. Nos cinemas, era peça obrigatória e servia para anunciar que as luzes seriam apagadas, as cortinas se abririam e a projeção cinematográfica estaria começando em seguida. Eram três gongadas de sonorização diferenciada que soariam no apagar das luzes, e terminariam com as primeiras imagens na tela.

Depois disso, a abertura da sessão cinematográfica passou a ter outras funções definidas. O mesmo equipamento foi adotado por algumas emissoras de Rádio, passando a se constituir em atração, como prenúncio em forma de sinal sonoro para anunciar os falecimentos. A primeira gongada era acionada pelo operador de som, de comum acordo com o locutor. E este por sua vez dizia em tom sério, sóbrio e seguro: Nota de Falecimento! A gongada complementava o texto radiofônico.

Esse sinal sonoro era equivalente a uma chamada (Alerta) de Atenção, ou Silêncio, porque em seguida viria o anúncio fúnebre em forma de texto, com o nome completo do falecido, precedido pela referência familiar. E ao concluir a Nota de Falecimento vinha a segunda gongada para confirmar a informação e o nome do morto, ou seja: Noticiamos o falecimento de fulano de tal, com tantos anos de idade....

A Rádio Bandeirantes de São Paulo foi uma das primeiras a adotar o gongo por muito tempo para noticiar falecimentos. Na maioria das vezes acrescentava ao texto um agradecimento com a expressão: “A família enlutada, agradece penhoradamente e pede que não sejam enviadas coroas, nem flores”.

Isto me fez lembrar que há poucos anos ao falecer um importante empresário da região, fiquei impressionado com a quantidade de coroas e flores que lhe foram enviadas. Lotaram todas as dependências da Câmara Municipal, onde o corpo foi velado.

As flores sobrepostas às respectivas coroas cobriam todas as paredes; e também os corredores e até a frente do edifício onde se deu o velório. Por isso, resolvi contar as coroas que haviam chegado ao local e estavam expostas, aguardando o cortejo.

Para minha surpresa, duas horas antes da saída do féretro já se aproximavam de duzentas. Depois, fiquei sabendo que foram necessários três caminhões para conduzí-las até o Cemitério Municipal, onde o corpo foi sepultado com todas as honras.

Em Presidente Venceslau durante muitos nos o gongo foi utilizado pela ZYH-7 para noticiar falecimentos. Os cinemas de Presidente Prudente e até o Cine Bandeirantes de Venceslau também tinham o seu gongo para a abertura das sessões cinematográficas. Era uma peça eletrônica muita valiosa, que emitia três sons diferentes num cano tubular, acionados manualmente pelo técnico de som. Através de uma pequena alavanca o operador equacionava o volume a fim de proporcionar uma bela sonorização.

Anteriormente, algumas emissoras da região também o haviam adotado, tornando-se peça obrigatória em todos os estúdios de radiofonia em Amplitude Modulada – A,M. Na época eram poucas as FMs, e assim mesmo, somente nas Capitais. Mas com o passar dos tempos, essa peça eletrônica perdeu totalmente sua importância, tornando-se até desconhecidas das novas gerações, inclusive dos radialistas.

Nos programas de Rádio e Televisão, alguns produtores tiveram a oportunidade de utilizar o gongo com outra finalidade: gongar os candidatos que se apresentavam nos shows de calouros. Muitos cantores e instrumentistas enfrentaram o gongo durante as competições e tinham maior medo de ser “gongado” do que perder para os concorrentes.

Os bons calouros tiveram êxito, evitando o constrangimento da gongada. Mas os demais não tiveram a mesma sorte: voltaram para a casa com a “orelha ardendo” pelo efeito sonoro do gongo. Estes, com toda certeza jamais esqueceram daquele triste episódio.



Escrito por Altino Correia - Repórter às 13h09
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FRUTA MADURA À BEIRA DA ESTRADA

Desde os meus tempos de menino, tenho observado a importância da fruticultura como fator de beleza e qualidade de vida. Alguns governos chegaram a oferecer incentivo aos produtores rurais que se dedicassem aos projetos desenvolvidos pela Secretaria da Agricultura. do Estado de São Paulo. O resultado disso é que os poucos agricultores que adotaram o projeto tiveram excelentes resultados, aumentando sua produção e sua fonte de renda.

Dessa situação também se aproveitaram alguns prefeitos, transformando a margem das rodovias ou estradas vicinais, em atrativos para os que se utilizam da sombra e dos frutos das árvores. Mas nem todos sabem valorizar essa iniciativa, danificando muitas vezes os frutos ali produzidos com atos de vandalismo.

Enquanto alguns têm verdadeira adoração pelas árvores e pelos frutos que elas produzem, há também os inimigos naturais, que não plantam, mas destróem o que é plantado. Isso me faz lembrar um episódio ocorrido em Presidente Venceslau anos atrás. Numa nova moradia que eu construí naquela cidade com muito sacrifício, plantei algumas mudas visando contribuir com a arborização das ruas.

A pequenina árvore já contava com grade de proteção, irrigação diária e cuidados especiais. Mas um grupo de garotos vizinhos, resolveu descarregar sua ira contra a arvorezinha, apenas por uma brincadeira. Um disse para o outro: "quem não der uma paulada nessa árvore é veado". Para minha surpresa, quando tentei intervir, a plantinha estava toda arrebentada. Porem, ela resistiu, sobreviveu e hoje é uma árvore adulta e bem formada.

Pelas minhas observações, no decorrer dos últimos anos alguns municípios como Taciba, Regente Feijó, Santo Expedito, Indiana e Tupi Paulista foram os primeiros a implantar projetos de fruticultura à margem das vias de acesso e também na área urbana.Há também os que preferem intercalar arvores frutíferas com jardinagem, pensando principalmente na ecologia, alimentando os pássaros e fazendo a alegria das crianças. O plantio de amoras é uma dessas alternativas.

O velho Virgínio Cabral, de saudosa memória ao implantar em Santo Expedito esse projeto afirmou categoricamente que os que viajam pelas rodovias se sentem compensados ao contemplar à sua frente um verdadeiro pomar, com frutos os mais diferentes para serem saboreados sem qualquer custo. Por isso, ele adotou essa medida e transformou boa parte da vicinal de seu município num extenso pomar, seguindo a iniciativa de outras cidades. E a idéia - ao que parece –vingou!

Vale lembrar que certa vez, ao voltar de um trabalho jornalístico na região, fiquei impressionado com o aspecto de algumas mangueiras existentes à margem da Rodovia Raposo Tavares nas proximidades de Piquerobi. Era o início de uma nova safra e as mangas rosas eram vistas junto ao acostamento como uma tentação para os olhos.

Não tendo muita pressa para editar a matéria, pedi ao motorista que estacionasse por alguns instantes, pois não resistia à beleza e ao sabor dos frutos ali bem ao lado. Juntamente com outros companheiros de equipe me dirigi à mangueira e fui buscar as mangas maduras, sem a cautela de verificar porque elas não haviam sido apanhadas por outras pessoas.

Bastou balançar o galho e senti de imediato um estranho zumbido, que nada mais era do que um enxame de marimbondos. Em questão de segundos, fui contemplado com cinco ou seis picadas no rosto. E sem qualquer meio para evitar o inchaço do rosto me vi obrigado a tolerar a ardência inicial e depois a aparência deformada.

O episódio acima me fez lembrar uma música popular brasileira muito conhecida. Fala de “Laranja madura à beira da estrada”, que pode estar estragada ou tem marimbondo no pé”. Nesse caso não era laranja, mas sim manga rosa; como poderia ser também goiaba, jabuticaba, acerola ou outra fruta qualquer. Mas posso dar meu testemunho: tinha marimbondo no pé. Sim Senhor!.



Escrito por Altino Correia - Repórter às 15h24
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AS COBRAS DO MEU CAMINHO

Quem viaja, certamente já encontrou ou poderá encontrar problemas. Bons ou maus, sempre existiram e continuarão a desafiar nossa paciência. A verdade, é que as dificuldades estão por toda parte. Nas rodovias é muito comum a abordagem da fiscalização da Polícia Rodoviária, especialmente quando o motorista tem pressa e ultrapassa os limites da velocidade permitida. Mas o que vamos abordar nada tem a ver com multas ou contra-tempos. Vamos falar de cobras venenosas ou não, mas que sempre assustam muita gente.

Nos meus tempos de criança tive a oportunidade de ver de perto um urutu, morto a chineladas. Isto mesmo: morto a chineladas que foram dadas pela minha mãe bem ao lado do fogão de lenha que ela utilizava para preparação das refeições de minha família, em Presidente Venceslau. Ela na sua simplicidade, nem imaginava o perigo que estava correndo. Removendo gravetos para acender o fogo, ela percebeu alguma coisa estranha e admitiu tratar-se de uma lagartixa que havia se refugiado junto ao amontoado de lenha. Simplesmente tirou o chinelo do pé e deu duas ou três chineladas, o que foi suficiente para “matar a cobra e mostrar o pau”. Minha mãe já completou 95 anos em Dezembro de 2008.

Nos últimos anos da década de 50 a região se mostrava apreensiva, ante a ameaça de extinção dos laranjais em virtude do aparecimento de uma estranha doença: o “cancro cítrico”. Os pomares se estendiam por toda parte, com farta produção, o suficiente para suprir o mercado regional e até para as primeiras exportações. Alguns proprietários, discordavam dos métodos de combate à doença, e ingressaram com mandado de segurança para impedir o acesso de funcionários e a erradicação de seus pomares. Foi preciso requisitar tropa policial, que veio especialmente de São Paulo.

No trem em que oficiais e soldados viajavam, eu também viajei. No primeiro contato, o comandante da tropa queria saber se era verdadeiro o boato de que "os nossos laranjais estavam cobertos de cobras venenosas". Os policiais ficaram apavorados com essa noticia; porém, com o meu testemunho de que tudo não passava de invencionice, eles ficaram mais tranqüilos para o cumprimento de sua missão.

Anos depois tive a oportunidade de visitar uma exposição de cobras que fazia parte de um evento especial na programação festiva do aniversário de Presidente Prudente. O responsável pela Exposição em certo momento se ausentou do local para resolver outros assuntos, deixando à porta uma funcionária da Prefeitura que se dispôs a fazer o trabalho de bilheteira e porteira ao mesmo tempo. Foi nessa hora, que eu cheguei com a equipe de TV para realizar o trabalho de reportagem que exigia uma entrevista com alguém que entendesse de cobras.

A moça nem sequer sabia o que existia na exposição. Aí, eu decidi identificá-la como a “moça da cobra”, pois era a única pessoa naquele momento que tinha contato com os répteis em exposição. Isto porque o dono das cobras tomou um “chá de sumiço”, sabe-se lá qual foi o motivo. Dias depois ao me avistar com a “moça da cobra” perguntei a ela se já havia se familiarizado com as venenosas ou não venenosas e ela simplesmente disse: “De cobra ainda não entendo nada”...

Ao realizar outra reportagem num seringal existente em Indiana (que é o maior da alta sorocabana), me deparei com uma estranha cobrinha, que só depois fiquei sabendo tratar-se de uma das espécies mais venenosas que existe no campo. Pelo menos foi o que disse o zelador da propriedade.

A cobra mais se parecia com um arbusto seco. Permanecia em meio à folhagem, estática como se fosse um simples galho de árvore, e já estava preparada para dar o bote, quando fomos advertidos. O meu companheiro, repórter cinematográfico prontamente documentou o fato com imagens, e em seguida partimos para o contra-ataque “matando a cobra e mostrando o pau”. O acompanhante recomendado pela fazenda revelou que dias antes, uma cobrinha similar atacou um dos cachorros e o matou em questão de minutos.

Outro fato envolvendo cobras aconteceu nas imediações do recinto de animais em Presidente Prudente poucos meses depois. Um funcionário da TV viajava tranqüilamente, quando percebeu alguma coisa estranha no interior do veículo. Nada mais era do que uma cobra que havia entrado no carro, quando ele parou à margem da rodovia para vistoriar uma de suas torres de retransmissão, horas antes. Assustado, ele tentou parar novamente e sair correndo, mas a cobra agiu primeiro. Ele nem teve tempo suficiente de pedir socorro e morreu no interior do veículo, ao lado da cobra que o picou.

No livro “O vôo das borboletas”, o poeta e escritor Raymundo Farias de Oliveira relata um fato quase idêntico ao meu durante a infância. A cobra, uma serpente urutu com aproximadamente dois metros de comprimento apareceu sobre o monte de lenha depositado debaixo de um fogão. Mas ao se preparar para o golpe mortal recebeu um tiro, disparado pelo irmão do avô do Raymundinho.

Segundo relata o escritor, uma espingarda deu fim à cobra venenosa que foi jogada morta no terreiro, para no dia seguinte ser enterrada na zona rural de Caiuá. A minha estória se passou na cidade de Presidente Venceslau, e ao invés de um tiro o urutu recebeu apenas algumas chineladas. Iguais a aquelas que no passado, em algum ponto do Brasil foram destinadas aos garotos de mau comportamento, indisciplinados e desobedientes.



Escrito por Altino Correia - Repórter às 18h21
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A “HORA DO ÂNGELUS” PREVALECE

No passado – que vai além dos cinqüenta anos – a “Hora do Ângelus” era um momento de oração e reflexão que predomina em inúmeros pontos do Brasil. Depois de um dia agitado com os problemas habituais, ou de tranqüilidade (conforme as condições de vida da população brasileira), o momento de oração tornou-se tradição em muitas emissoras de rádio. A curta reflexão se reforça com a liturgia das missas vespertinas de sábado ou domingo, transmitidas pelo Rádio ou TV

Em Presidente Venceslau onde iniciei minha carreira profissional, esse breve espaço de tempo (ao contrário de muitas fontes mal informadas), era e continua sendo utilizado da melhor forma possível. Começou em data não registrada na década de 50 e continua no ar até hoje através da Rádio/AM – 610 khz. – no horário das 18h00. Igualzinho ao que se fazia da mesma forma nos tempos antigos.

Além disso, as missas em Venceslau também vem sendo transmitidas em todos os fins-de-semana, desde a instalação da Paróquia de Santo Antonio de Lisboa com o Pe. Ladislau Obora. Foi ele o primeiro vigário e administrador daquela Paróquia nos anos da década 60, até se transferir para a Diocese de Lins onde viveu até o ultimo dia 20 de maio, quando partiu para a eternidade, rumo à casa do pai.

A Hora da Ave Maria - pontualmente às 18h00 - teve no decorrer dos anos muitos apresentadores. Alguns, locutores da própria emissora e outros na condição de convidados especiais, ou integrantes das Pastorais de nossas Paróquias. Como acontece em Presidente Venceslau, também se verifica em outras regiões brasileiras, especialmente naquelas onde as emissoras estão integradas à Rede Católica de Rádio, capitaneada pela Rádio Aparecida. Foi o caso da Rádio Cultura de Santo Anastácio, atualmente Rádio Onda Viva que funciona junto à Diocese em Presidente Prudente, operando na freqüência de 1.300 khz.

Em Presidente Prudente quem mais se evidenciou no passado foi o radialista e advogado Lázaro Dias, que mantinha essa programação de cunho religioso na antiga Rádio Piratininga, exatamente às seis horas da tarde, com uma audiência espetacular. Com a extinção da concessão, a Rádio deixou de operar e o público ficou no abandono por muito tempo. Até surgir a programação de outras emissoras. Entre elas a Rádio Comercial/AM, a Rádio Globo (com o Pe. Marcelo Rossi) veiculando também a “Hora do Ângelus” a nível nacional.

A retransmissão desses programas de caráter religioso se faz nos dias atuais por um grande número de emissoras afiliadas da Rádio Globo, somando-se ainda a dedicação exclusiva da Rádio Onda Viva, sob controle da Diocese. E ao mesmo tempo, emissoras tradicionais como é o caso da Rádio Difusora de Presidente Prudente – a mais antiga da região – que volta ao seu esquema primitivo, incluindo programas da Igreja católica e Musicas Gospel e a Hora do Ângelus, às 18h00, de 2ª. a 6ª. feira.

Para compor tabela da programação, outras emissoras de tendência católica ou evangélicas, mantidas pelas congregações religiosas ou Dioceses e mesmo os canais abertos de TV. É o caso da RedeVida de Televisão, TV Canção Nova, TV Século XXI, TV Horizonte (BH), ou TV Nazaré, com amplo espaço dedicado à Espiritualidade e Evangelização via satélite.

Com o avanço da tecnologia as comunicações se tornaram rápidas e muito mais fáceis, cobrindo todo o território brasileiro e boa parte do continente através das parabólicas e da própria Internet. Ao mesmo tempo existem agências especializadas na produção do material necessário à veiculação de programas, noticias e informações de todas as categorias, incluindo religiosas.

Dizem mesmo que o som e as imagens chegam a todos os pontos do planeta sobre os telhados e só deixam de ser recebidos se o público-ouvinte ou telespectador não se interessar pelo assunto. Há muita coisa no ar e a palavra da Bíblia é prioritária. Não pode ser ignorada em hipótese alguma, pois se aplica a qualquer momento de nossa vida.



Escrito por Altino Correia - Repórter às 10h27
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PETRÓLEO DOMINA O MERCADO

Desde que foi descoberto até os dias de hoje, o petróleo continua dominando o mercado mundial. Agora, mais do que nunca é assunto obrigatório em todas as conversações. Mas no Brasil, houve fases difíceis e muitos nem chegavam a acreditar na existência de grandes jazidas de petróleo e gás natural. Quando Monteiro Lobato – jornalista e escritor – anunciou as primeiras descobertas, houve pressão, ameaças, sabotagens e sérias acusações por parte das multinacionais e do próprio governo, resultando na sua prisão, tortura e até expulsão do país.

Os fatos de maior expressão ocorreram na década de 30, e Monteiro Lobato foi o foco principal do assunto, o que resultou na criação do Conselho Nacional de Petróleo – CNP. Tudo em função de sua persistência em explorar as áreas de produção no nordeste brasileiro, a começar pelos Estados de Alagoas e Bahia. Daí, a existência do Poço Pioneiro de Lobato, numa alusão ao escritor e jornalista que tanto se bateu pela prospecção de petróleo no Brasil por brasileiros.

Em seu livro “O escândalo do petróleo”, José Bento Monteiro Lobato aponta Oscar Cordeiro como o verdadeiro descobridor do petróleo no Brasil. O primeiro poço (do Lobato), foi aberto em 1939 e por ele anunciado dois anos antes. E diz que a procura do petróleo era uma atividade aberta a todos os brasileiros com a criação do CNP. Mesmo assim, o poço foi embargado por ordens de Getulio Vargas, através do Conselho Nacional do Petróleo. Mas ao ser confirmada ali a existência do “ouro negro” acabou sendo nacionalizado, sem qualquer indenização para os seus donos.

A situação se complicou quando um geólogo que pesquisava uma área conhecida por Riacho Doce, em Alagoas foi encontrado morto sob justificativa de afogamento. Outras pessoas que também se envolveram nos negócios, foram mortos em circunstancias misteriosas, inclusive por um “suposto suicídio”. o próprio Monteiro foi preso sob acusação de injúria e infâmia contra autoridades do governo da época que sabotavam todos os projetos, por desacreditar na existência de petróleo no Brasil.

Na região de Presidente Prudente a primeira exploração do sub-solo em busca do petróleo ocorreu a partir da década de 50. Conforme matérias anteriores deste Blog, o pecuarista José Mário Junqueira de Azevedo – com trânsito livre na área federal – descobriu um livro escrito por um geólogo norte-americano que dizia existir petróleo na foz do Riacho Caiuazinho com o Rio Paraná, em Presidente Epitácio. Para convencer os que não acreditavam ele fazia questão de ler e mostrar o conteúdo do livro.

Depois de buscar apoio e divulgação da imprensa regional e da grande imprensa de São Paulo, José Mário Junqueira mandou confeccionar pequenas torres de plástico com os dizeres: O petróleo é nosso!. Isso foi o suficiente para desencadear uma onda de acusações e protestos, que inclusive o consideravam esquerdista, por acreditar na existência do tão falado petróleo na região.

Apesar da contestação de muitas pessoas – incluindo políticos da época - ele conseguiu convencer os diretores da Petrobras e o próprio Governo de JK. O que ele exigia de imediato era o deslocamento de uma sonda perfuratriz até Presidente Epitácio, o que foi feito pela antiga Estrada de Ferro Sorocabana. A sonda (com todos os seus equipamentos), foi instalada ao lado do pátio da estação ferroviária e começou a prospecção que funcionou até alcançar a profundidade de 3.953 metros

Um suposto acidente com a quebra da.broca de perfuração, provocou o encerramento da prospecção que era feita por uma empresa norte-americana, contratada pela Petrobras para realizar esse trabalho, não se chegando a nenhuma conclusão quanto à existência ou não de petróleo. Com isso, o poço foi lacrado definitivamente, e somente reaberto muitos anos depois, para aproveitamento das águas quentes que passaram a alimentar o Balneário Thermas de Presidente Epitácio.

Posteriormente houve várias prospecções por parte do Consórcio IPT-CESP (Paulipetro), no Pontal do Estado, com o objetivo de traçar o perfil geológico das camadas do subsolo na região e também de cidades vizinhas do Paraná e Mato Grosso do Sul. O único fator positivo dessa exploração do solo, foi a descoberta de uma grande jazida de gás natural ao atingir a profundidade de 4.625 metros, em Cuiabá Paulista, Distrito de Mirante do Paranapanema. Por questões meramente políticas, o poço foi lacrado meses depois e jamais foi reaberto.

Nos últimos dias, os meios de comunicação noticiaram o registro auspicioso de um novo recorde na produção de petróleo no Brasil. Mesmo considerando a existência de uma greve de cinco dias envolvendo os petroleiros, a produção do mês de Março foi da ordem de 1.992 milhões de barris/dia, com alta de 2,68% em relação ao mês anterior.

A somatória total envolvendo a produção do exterior alcança 2.538 milhões de barris/dia, que equivalem a 2,54% acima de fevereiro. Tudo em função da entrada dos poços nas plataformas P-53/Cidade de Niterói e P-54/Roncador., totalizando 52.000 barris/dia. O volume da jazida “Piracucá”, descoberta em Santos - e acima da camada de sal – tem um volume estimado em 550 milhões de barris de óleo equivalente/boe.

É preciso considerar também que foram confirmadas novas jazidas de petróleo e gás no pré-sal a 200 km de Santos. Nesse local, identificado como sendo o campo gigante de Tupi, existem reservas estimadas atualmente entre 5 a 8 bilhões de barris/dia. O Consórcio Petrobras detém 63% dos investimentos, ficando o restante, 37% para a Repsol.



Escrito por Altino Correia - Repórter às 08h23
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CONVIVÊNCIA COM OS ORIENTAIS

A minha convivência com as pessoas de origem oriental vem de longa data. Desde os primeiros anos de vida, na infância, tive o privilégio de conviver com japoneses e seus descendentes. Foram os primeiros imigrantes que chegaram a esta região do Estado. A primeira coisa que me impressionou foi o método que eles adotavam para a cura de algumas doenças, como se fazia no passado em determinadas ilhas do Japão. Lá, eles utilizavam o algodão e o incenso, com os quais após benzimento se processava a queima entre os dedos. Isso aprendi e utilizei muitas vezes sem saber o efeito, por gentileza de Dona Maria e seu esposo, Keizo Kobayashi, ambos falecidos.

Depois conhecí os Okamoto, Yamamoto, Shirassu, Yoshitake, Maekawa, Iguchi, Sakai, Kitayama, Matsura, Horimoto, Mizuki, Ogata, Imai, Hamada, Takenobu, Yokoiama, Karazawa, Nakahori, Okada, Hatsumura, Otsuka, Yoshihara, Nomura, Nakai, Tanaka, Iamada, Sakemi, Kehara, Matsumoto e tantas outras famílias, cujos nomes já não me recordo. Entretanto, daquela geração quem se destacou na atividade jornalística foi Toshimizu Itokazu. Ele era muito jovem e me foi apresentado por sua mãe (pessoa que conheci na feira livre), e me solicitou humildemente uma oportunidade de trabalho para seu filho na Emissora local.

Tive assim o primeiro contato com esse novo talento que galgou importantes funções na Capital do Estado. Ele inclusive ocupou o alto posto de Chefe de Redação da “Boa Estrela”, uma das mais destacadas Revistas da Mercedes Benz com circulação em toda a América Latina. Comigo, Toshimizu teve apenas a atribuição de redigir notícias e textos veiculados pela Rádio Presidente Venceslau/AM - ZYH-7 - há mais de 40 anos.

E´ bom dizer que foi ali mesmo que aprendi alguma coisa dos orientais, em termos de comunicação. Cheguei até em caráter excepcional a fazer a abertura do programa “Momento Oriental” - dedicado à colônia nipo-brasileira –usando essas palavras: Nipon Ji No, Minassamá, Combauá. Cotiraua Presidente Venceslau, Shi...Rádio...e outros termos que no momento não me ocorrem. Além das coberturas radiofônicas do beisebol, sem nada entender do idioma e desse atraente e empolgante esporte.

Anos depois, já em Presidente Prudente pude conviver com outras pessoas de origem japonesa. Entre elas, a Sra. Marina e Watal Ishibashi, ele vice-prefeito eleito, e prefeito na substituição de Florivaldo Leal (barbaramente assassinado por um desequilibrado mental em pleno centro da cidade); o pioneiro Hiroshi Yoshio, os Anzai, Yoshinaga, Koianague, Funada, Fuji, Horio, Miyasaki, Akamatsu, Harada, Kaneko, Matsuda, Maehara, Kakihara, Miyoshi, Hori, Sakamoto, Takigawa, Mizobi, Nakaya, Kumizaki, Takuchi, Wakabayashi, Ikeuchi, Aoki, Saito, Maeda e o primeiro de todos os imigrantes, o querido e saudoso Ryoichi Kodama, com quem convivi até os últimos anos de sua vida.

Do velho e saudoso Kodama, guardo como lembrança um amuleto que recebi na volta de sua última viagem ao Japão, antes do último adeus na partida para a eternidade. O pioneiro Kodama confidenciou muitas vezes as alegrias e amarguras que teve no Brasil desde sua chegada com 13 anos de idade, fazendo parte da primeira leva de imigrantes do Kasato Maru”. Em Presidente Prudente Kodama viveu desde 1.926 e a fase mais difícil se deu durante a 2a. guerra mundial. Até mesmo sua pequena camioneta (um Ford de bigode), que era o único instrumento de trabalho e renda para o sustento da família, foi requisitada por um delegado de polícia –insensível à questão humana – deixando a família sem condições de sobrevivência por vários meses.

Para as autoridades da época Kodama era nipônico, portanto um estrangeiro. Mas seu filho Raul, então integrante do Tiro de Guerra de Presidente Prudente foi convocado para integrar a Força Expedicionária Brasileira. Como soldado das tropas aliadas, lutou na Itália contra os alemães e os próprios conterrâneos de seu pai, os japoneses, conforme recente relato que ele nos fez. (Veja neste Blog em FOTOS de 01/01/ a 31/01/2009).

Sem jamais demonstrar ressentimentos ou revolta pelos maus-tratos que recebeu, Ryoichi Kodama se manteve em silêncio durante toda sua existência. Mas também poderia muito bem ter exigido uma indenização – como muitos já fizeram - por danos morais e materiais a que foi vítima durante o período do “estado novo” na ditadura de Vargas.

De outra parte, no decorrer dos anos, conheci e desfrutei também da amizade do sr. Mitsuo Mizobuchi, que poderia muito bem entrar para o livro dos recordes, como a pessoa que mais viajou nos últimos 40 anos pela Rodovia Raposo Tavares entre Presidente Prudente e Presidente Venceslau. Se considerarmos a quilometragem rodada nesse espaço de tempo - de 2a. a 6a.feira - o Sr. Mitsuo teria gasto em combustíveis o suficiente para comprar pelo menos 10 veículos de porte médio para o transporte de passageiros.

Para comemorar os 70 e tantos anos de fundação da ACAE – Associação Cultural, Agrícola e Esportiva – então dirigida pelo sr. Ricardo Nakaya foi promovida uma festa comemorativa. Foi no Estádio de Baseball “Hiroshi Yoshio” com inúmeras competições, provas e brincadeiras com a participação de adolescentes, jovens, adultos e toda a comunidade local e regional.

Nessa festa tradicional de 01 de Maio, onde se presta homenagens às crianças e aos trabalhadores na figura respeitável de São José-Operário, foram também tributadas merecidas honras às pessoas com idade acima dos 75 anos. Nessa festa de congraçamento do dia do trabalho não faltaram os pioneiros com até 99 anos de idade. Todos foram lembrados e homenageados publicamente, onde juntamente com os idosos tive a honra de transmitir minhas congratulações. Não se pode esquecer que ainda está entre nós, o velho Takigawa, que acaba de completar 102 anos de vida, com os parabéns de toda a população regional.



Escrito por Altino Correia - Repórter às 17h22
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UM CÃO CHAMADO “MISSEIRO”

Desde minha infância, vivo encafifado com o comportamento de certos animais. Os cães são os primeiros a causar apreensão. Principalmente no decorrer dos últimos anos, quando o número desses animais chega a se aproximar do número de seres humanos existente na área urbana de muitos municípios. O criatório de cães que por Normas Convencionais sempre foi proibido nos Apartamentos de Condomínios Residenciais já vem sendo tolerado de forma discreta. Desde que o animal não ofereça risco à segurança dos moradores ou venha a causar incômodo aos vizinhos. Assim mesmo, há quem diga que a população é ainda muita desumana em relação aos cães.

Mas no passado, o problema mais sério era representado por cães que acompanhavam seus donos, inclusive nos atos religiosos. E de vez em quanto era preciso um puxão de orelhas, dado pelo Sacerdote aos que levavam animais para a igreja, especialmente durante as missas. É que os cães, nem sempre eram controlados pelos seus proprietários, e quando menos se esperava, eles armavam suas brigas, que ninguém podia apartar. E o resultado mais grave era representado pela perturbação do ato religioso. Eu que transmiti muitas Missas pelo Rádio e fiz inúmeras matérias para a Televisão, pude presenciar muitas intervenções para evitar constrangimento entre os amigos que não admitiam cães nos rituais religiosos, em hipótese alguma..

Foi numa igreja de Álvares Machado, mais propriamente na Paróquia de São José, que eu fiquei sabendo da existência de um cão que não perdia sequer uma Missa. Bastava o sino tocar, e ele disparava em direção à Igreja, onde acompanhava o ato religioso desde a procissão de entrada até a benção final dada pelo Sacerdote. Não sei qual foi o Padre, mas um deles, não gostou da presença do animal, embora o cão da raça vira-lata tivesse alguns métodos que se tornavam simpáticos aos fieis: rosnava e uivava à medida que o Coral começava a cantar. Em alguns momentos, o cão latia descompassadamente para demonstrar seu contentamento em tomar parte nos rituais da Santa Missa, ao lado dos fieis e do Coral da Igreja.

Quando obtive essa informação, sinceramente não acreditei. Por isso, fiz como São Tomé: fui ver para crer. Cheguei em Álvares Machado com bastante antecedência, e mal o sino tocou, eis quem chega à porta da Igreja: O “Misseiro”. Como se não quisesse nada, ele se acomodou em meio aos bancos da fileira central. Permaneceu em silêncio, enquanto os fieis iam lotando a Igreja Matriz. E quando foi entoado o canto inicial com os vocalistas cantando a primeira estrofe, se ouvia também a primeira intervenção do animal na Missa. E o “Misseiro” que estava tão compenetrado começou a acompanhar o Coral no seu estilo, meio desafinado, rosnando e uivando seguidamente.

Se o “Misseiro” continuou dando seus shows, não tenho a menor idéia. Sei apenas que o atual Vigário e Administrador, meu amigo Padre Jurandir, nunca ouviu falar desse cachorro. Sabe apenas que Álvares Machado e muitas outras cidades, têm hoje uma população canina tão grande quanto à população que o IBGE registrou no último Censo Demográfico. E que coloca Presidente Prudente em 1º lugar com 202.789 habitantes; Dracena em 2º com 42.107 moradores; Presidente Epitácio em 3º com 39.4003 e Presidente Venceslau, em 4º lugar com 37.155 habitantes. Admite-se que somente em Presidente Prudente devem existir atualmente cerca de 100 mil cães.

Em se tratando de animais, o cão é sem dúvida o preferido entre todos os seres irracionais. A prova disso é a procura por raças caninas as mais diversas, que acabam se transformando em amigos fieis de crianças, jovens e adultos. Especialmente dos idosos que via de regra se sentem melhor amparados ao lado de um cão, mesmo que não seja Policial, Pastor Alemão ou Pitbull. E ainda, por incrível que pareça a própria Igreja passou a festejar o Dia de São Francisco (04 de Outubro), abençoando os animais. Só em Presidente Prudente, a Paróquia de São Francisco de Assis vem registrando um número cada vez maior de animais domésticos - levados pelos seus próprios donos - a fim de receber a benção no dia do Padroeiro.

Segundo o Padre Luiz Inácio, que responde como Vigário e Administrador Paroquial, a Igreja de São Francisco recebeu em 2008, de 700 a 800 animais para serem abençoados, a maioria cães de estimação. E além da benção, os animais e seus proprietários foram contemplados com um belo show musical em praça pública, depois da celebração de uma Missa Campal, na Praça da Matriz. O ato foi concelebrado, estando presente o Bispo da Diocese, Dom Benedito Gonçalves dos Santos.



Escrito por Altino Correia - Repórter às 12h39
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QUINZE MATÉRIAS NUM SÓ DIA

Parece inacreditável, mas em toda minha vida profissional o maior número de matérias para a TV foi concretizado num só dia durante a década de 90. Pela madrugada, juntamente com a equipe de telejornalismo deixávamos nosso estúdio, nos altos do Jardim Santana onde funciona a Bandeirantes, Regional de Presidente Prudente. O objetivo inicial era o de realizar matérias especiais com os "Sem Terra", que ocupavam algumas áreas do Pontal do Paranapanema. E o fizemos começando por Taquaruçu, nas imediações de Teodoro Sampaio.

Como saímos muito cedo e os primeiros trabalhos foram concluídos rapidamente, decidimos de comum acordo com o câmera-man, operador de VT e o motorista, dar continuidade às pautas. Para ganhar tempo nos dias seguintes, visando obter com isso alguns dias de descanso. E assim, partimos para outras regiões do Estado (sem pauta), à procura de novas matérias para nosso telejornal. diário.

Ao deixarmos as margens do Paranapanema para a realização desse trabalho, não tínhamos a menor idéia de que poderíamos atingir um autêntico recorde, pois havíamos levado fitas suficientes para produzir inúmeros trabalhos. Rodando em alta velocidade - como é comum entre as equipes de TV que partem em busca da notícia - chegamos à região de Andradina, onde além das matérias comuns, fomos até Ilha Solteira e em seguida Pereira Barreto.

Nesta última cidade havia uma mobilização geral face ao enchimento do lago Três Irmãos provocado pelas obras da nova usina hidrelétrica, prestes a entrar em operações. Ali a comoção era geral, não só pela transformação da área, mas principalmente pelo desaparecimento da Ponte Pênsil, o mais autêntico cartão-de-visita de Pereira Barreto. A obra de pioneirismo lá edificada, representava importante marco histórico, pois foi construída com a participação dos antigos colonizadores que vieram do Japão.

Aproximando-se daquela cidade da região noroeste do estado, começamos a observar a intensa movimentação que se formava à margem do Tietê, face ao avanço das águas represadas para a formação do novo lago artificial. O mais interessante é que a afluência aumentava cada vez mais na direção da antiga Ponte Pênsil, especialmente dos descendentes de imigrantes (nisseis e sanseis), juntamente com os moradores mais antigos.

Cada um queria dar o testemunho de sua convivência com o símbolo do desbravamento representado por aquela bela e arrojada obra de engenharia. Era uma autêntica preciosidade da arquitetura de uma época que não volta mais. Já estávamos no entardecer, e cada um queria guardar aquela lembrança que ficaria para sempre na memória de toda a população como obra inesquecível. E enquanto a Ponte Pênsil ia desaparecendo sob as águas, víamos no semblante de cada um dos descendentes da Terra do “Sol Nascente”, o retrato fiel de uma profunda tristeza que começava a surgir e que permanece até os dias atuais.

Os antigos colonizadores guardam essa lembrança com muito carinho e saudade, recordando os bons tempos em que transpuseram os oceanos e partiram em busca do desconhecido, numa nova Pátria para eles e seus descendentes, por várias gerações.

Deixamos Pereira Barreto no início da noite. Durante a viagem de volta ainda conseguimos produzir mais duas matérias. Uma delas, envolvendo um grave acidente na rodovia. Já se aproximando de Presidente Prudente, ou mais propriamente nas imediações de Dracena na nova alta paulista, um temporal com chuvas intensas.

Alguns trechos não ofereciam segurança para o tráfego de veículos. Mas assim mesmo continuamos nosso roteiro até alcançar a obstrução de uma das pistas da estrada vicinal. Isso continuou por vários dias, com a estrada interdita e o tráfego interrompido. E o pior: causou a morte e ferimentos em várias pessoas, que inadvertidamente foram levadas pela correnteza ao transpor uma ponte, cujo aterro havia sido destruído.

Para gravar imagens e concluir a última matéria tornou-se necessário o reaproveitamento de pequeno espaço que ainda restava em algumas fitas de vídeo. Chegando, já na madrugada seguinte, só tivemos o trabalho de conferir as fitas e as matérias gravadas. Totalizavam quinze trabalhos, um expressivo e autêntico recorde que até poderia entrar no “Guiness” também conhecido como o Livro dos Recordes, como um fato inédito na televisão mundial.

Nem é preciso dizer que os telejornais da Band estavam bem guarnecidos com material mais do que suficiente para edição e veiculação por vários dias. E assim, ficamos sem problemas de cumprimento de pauta por outros dois ou três dias seguintes.



Escrito por Altino Correia - Repórter às 13h44
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ARMADILHAS IMPREVISÍVEIS

Nos meus tempos de infância, o assalto às plantações de melancia era coisa comum. Melancia sempre foi novidade (pelo menos era o que pensava a geração dos anos trinta), porque os plantadores só se preocupavam em produzir essa espécie para fins comerciais, isto é, com o objetivo de fazer dinheiro. Com isso, os que não tinham recursos financeiros arriscavam a pele invadindo as áreas de acesso mais fácil, para testar a qualidade daquela variedade frutífera. Isso ocorria com maior freqüência no período noturno, quando a vigilância deixava de existir na maioria das propriedades rurais. Mas tempos depois, houve quem adotasse um sistema mais avançado de segurança, através de armadilhas, criando sérios riscos para os invasores.

Foi numa pequena propriedade à margem da Rodovia, no município de Martinópolis que eu tive a oportunidade de conhecer a nova modalidade de proteção para as lavouras de melancias, representadas por vários tipos de armadilhas. Dentre elas, um proprietário rural adotou a mais perigosa: armas de fogo. Eram algumas espingardas de chumbinho, de fabricação caseira, cujos gatilhos eram acionados por fios de nylon, cercando toda a área cultivada com o melancial.

O propósito não era outro, senão o de evitar invasões de estranhos. Bastava tocar o fio de nylon com os pés, para que o gatilho da pequena espingarda fosse acionado com uma carga de chumbo em direção de quem estava avançando o sinal. E por incrível que pareça, as primeiras chumbadas atingiram exatamente alguns garotos que sem malícia estavam entrando na lavoura de melancias.

Denunciado o uso das armadilhas, a policia foi acionada em todas as áreas de cultivo de Martinópolis e municípios vizinhos. No curso das investigações, as primeiras vítimas foram ouvidas. Os donos das lavouras indiciados em inquérito policial, passaram a responder civil e criminalmente pelos danos e ferimentos causados aos menores que invadiram a propriedade rural.

O fato serviu de alerta para outros proprietários. E estes, jamais voltaram a usar esse tipo de armadilha contra eventuais invasões. Os produtores de melancias são muitos que o digam, a começar pelo Sr. Pedro Akiyama que foi considerado o "rei da melancia" por muitos anos.

Na vida cotidiana, outros tipos de armadilhas também têm surgido de forma inesperada. O conhecido radialista e jornalista Wagner Montes que se tornou célebre como repórter e apresentador de programas policiais – e ultimamente político de prestígio no Rio de Janeiro - esteve por algum tempo em Presidente Prudente. Foi ele que relatou um fato sui-gêneris, acontecido em Belo Horizonte onde tinha atuação constante como repórter do SBT.

Logo ao desembarcar – disse Wagner Montes - observou que a poucos metros de distância um casal discutia de forma acalorada. E quem passou a levar a pior foi a mulher, que acabou sofrendo agressões do suposto marido. Nisso, ele entendeu que era hora de intervir em defesa da mulher. Juntou o marmanjão pelos colarinhos e advertiu que aquilo era ato de covardia que ele não poderia admitir em hipótese alguma. Deu um "safanão" no sujeito e perguntou se ele queria brigar com homem. Pela lógica, o homem seria ele (Wagner Montes).

De forma inesperada e surpreendente, o ex-radialista e jornalista recebeu uma “sapatada na cabeça. Quem desferiu esse golpe não foi outra, senão a própria mulher que ele defendia do espancamento minutos antes. Para tirar suas dúvidas perguntou à mulher: Qual a razão desse procedimento? Eu tomo a sua defesa e você me agride com uma “sapatada na cabeça? E a mulher concluiu numa simples frase: É que eu gosto de apanhar!”. Se ele entendesse que em briga de marido e mulher, ninguém deve meter a colher, dormiria sem esse dissabor...

Nas coberturas pela TV, tive também a oportunidade de registrar alguns fatos pitorescos ocorridos em vários pontos da região. Numa reportagem sobre fruticultura, um dos meus companheiros (cinegrafista) fazia a captação de imagens para cobrir detalhes da matéria jornalística. Ao documentar as cenas, ele não resistiu e acabou por comer uma goiaba vermelha que estava a sua frente e apresentava indícios de ter sido bicada por alguma ave ou pássaro.

Na entrevista com o dono do pomar, perguntei o porquê daquele fruto apresentar visíveis sinais de estar sendo devorado antes de ser colhido. E ele disse: "É que normalmente fazemos a aplicação de inseticidas como forma de proteção contra as pragas". Daí, questionei: E o que acontece se o fruto for bicado por alguma ave? E a resposta foi iminente: "Comeu, morreu". Nessa altura, quem quase morreu foi o cinegrafista, que já havia engolido todo o fruto em questão.

Em outro ponto da região, fomos documentar uma lavoura de mandioca, cuja produção estava sendo entregue a uma indústria de fécula e farinha, recém implantada para estimular os assentados do Pontal do Paranapanema. Enquanto produzíamos a matéria, nosso motorista se ausentou para juntar a maior quantidade possível de mandioca para consumo doméstico.

Quando se preparava para colocar o produto no veículo, alguém perguntou: O que você vai fazer com essa mandioca? Ele disse: vamos cozinhar e comer! E os homens da terra tiraram um sarro: Você não vai comer mandioca brava, vai?. E ele, decepcionado devolveu tudo que havia recolhido.



Escrito por Altino Correia - Repórter às 09h17
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O DIA DA CONSCIÊNCIA NEGRA

No decorrer do mês de novembro, tivemos um dia especialmente dedicado à consciência negra (20/11), que conscientemente muitos dirigentes políticos preferiram ignorar. Com isso, em muitos municípios a data passou em brancas nuvens, enquanto em outras 364 localidades, o dia foi festivamente comemorado, sendo dedicado a Zumbi dos Palmares, líder e símbolo da resistência contra a escravidão negra no Brasil.

Quando falamos em escravidão lembramos a figura lendária de Raimundo Gomes dos Santos – o Chapéu de Couro – que foi considerado o homem mais idoso desta região, descendente de escravos e figura carismática dos últimos anos do século passado. Com ele, tivemos a oportunidade de realizar inúmeras matérias para a Televisão, o que o evidenciou como uma das maiores celebridades. Sem especificar dia exato do seu nascimento, a Certidão que ele nos apresentou como comprovação, foi obtida em 1968 junto ao Cartório de Registro Civil de Presidente Epitácio.

Quando perguntamos ao “Chapéu de Couro” como viviam os escravos africanos de sua época, ele logo dizia: “os bons continuaram vivendo bem, mas os maus, apanhavam muito e ficaram sem trabalho”. E você viveu essa fase? Sim, havia muita fartura, não faltava nada; e a Princesa Dona Isabel libertou os pretos para a alegria de todos. E qual o segredo para viver mais de 100 anos? Ele respondeu: É muito simples. Basta não correr atrás do dinheiro, uai!

Reproduzimos os trechos acima, especialmente para recordar que Zumbi dos Palmares, morreu em 1695 com quarenta anos de idade e se transformou num mito. Como líder do Quilombo desde os 25 anos, foi denunciado por um companheiro e capturado por um português. Teve a cabeça cortada e o corpo mostrado em praça pública, a fim de semear o medo e impedir fugas e revoltas dos escravos.

Em 1995 foi instituído em 12 Estados o Dia da Consciência Negra, sendo considerado Feriado em centenas de municípios brasileiros, para preservar a memória. Segundo o IBGE, quase a metade da população brasileira é constituída por pessoas de origem negra. Isso faz lembrar o nome da Princesa Isabel – a Redentora – que dá nome a uma das principais vias comerciais de Presidente Venceslau e outras cidades.

Foi a Princesa Isabel quem instituiu e sancionou a “Lei do Ventre Livre”, libertando todos os filhos de escravos que nasceram depois de 1871. Foi ela também que assinou a “Lei Áurea” que decretou o fim da escravidão no Brasil depois de vitimar 12 milhões de africanos, o que motivou o papa João XIII a conceder-lhe a Comenda da Rosa de Ouro. Antes porém, na condição de herdeira do trono foi a 1ª; Senadora do Brasil a partir dos 25 anos de idade - de



Escrito por Altino Correia - Repórter às 14h16
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UM DIA MUITO ESPECIAL

Quando eu era garoto, ou mais propriamente na minha juventude, tive o privilégio de conviver e ter boas relações de amizade com os artistas dos Circos que visitavam Presidente Venceslau e outras cidades da região. É que ao chegar, eles estabeleciam seus primeiros contatos com o pessoal de imprensa e rádio. Eu, particularmente era a pessoa procurada – desde os empresários – até os mais humildes integrantes da troupe circense. E com eles, acabei me identificando por muitos e muitos anos. Essa amizade perdurou por muitos anos, e se estendeu a outros paradeiros onde os Circos fixaram seus mastros e a cobertura de lona, para se transformar na maior atração para o público. Com o passar dos tempos, a maior dificuldade passou a ser representada pelo espaço destinado ao funcionamento dos Circos, isto é, logradouros públicos.

Em Presidente Prudente, a minha contribuição foi muito importante, e devido a essa sugestão, aceita e colocada em prática, hoje os Circos têm um local especialmente escolhido para se instalar. É no Parque do Povo, com toda a infra-estrutura para o funcionamento de Circos e Parques de Diversões.

No passado, o episódio que envolveu o palhaço “Marréco” que por uma infeliz brincadeira chamou o Juiz de “ladrão” (referindo-se ao Juiz de Futebol) e mal interpretada pelo Juiz de Direito que se achava presente e mandou prendê-lo em pleno picadeiro, foi um deles. Depois vieram dezenas de outros “causos”, com muitos e muitos artistas que posteriormente ganharam projeção, tanto nas gravações como nos Shows e na TV. Nhô Pai, autor de “Beijinho Doce”, Bolinha e Biá (Boneca cobiçada), Caçulinha, que fazia dupla com o pai, Mariano e que se tornou artista famoso na TV, ao lado do Faustão, e tantos outros.

Quando se comparecia às sessões teatrais dos grandes circos que por aqui estiveram, era comum a comunicação feita ao público presente nos espetáculos domingueiros: “Amanhã, 2ª. feira não haverá espetáculo, pois é o dia do descanso da Companhia”. Isso marcou: “2ª. feira é o dia do descanso da Companhia”. E em todas as cidades, a história se repetia, deixando a convicção de que 2ª.feira não é dia de trabalho, principalmente para aqueles que se ocupam das atividades profissionais aos domingos.

Muitos anos depois, tive a oportunidade de ouvir a mesma frase. Só que desta vez pronunciada ao final de uma Missa Vespertina numa das Paróquias de Presidente Prudente. De imediato liguei o passado ao presente, e embora distante daquela comunicação, concluí que todos que trabalham aos domingos – considerando que é o Dia do Senhor – precisam efetivamente ter seu merecido descanso na 2ª. feira. Daí, a lembrança da mensagem circense na mesma dimensão do anúncio proclamado pelo Sacerdote no rito final da celebração: Amanhã, 2ª. feira, dia de descanso da Companhia.

Por incrível que pareça, descobri que agora uma outra categoria também aderiu ao descanso da Companhia às 2ªs. feiras: são os funcionários que trabalham com assados. Aos domingos a procura aumenta e o trabalho para atender às encomendas e a clientela, está sempre exigindo sua atuação por muitas horas. Em face disso, merecidamente também eles precisam ter um dia especial para o seu descanso semanal. E o dia escolhido não é outro, senão a 2ª. feira de todas as semanas.



Escrito por Altino Correia - Repórter às 14h15
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O “BRANCO” QUE ENCANTA E EMPOLGA

Dizem que o “Branco” é a cor da pureza. Se não agrada, também não desagrada – dizem algumas pessoas – sem dizer qual é a cor mais bonita que existe. Em se tratando de escolha, existem aqueles que não trocam o azul ou o rosa por nenhuma outra cor. Mas o verde e o vermelho também têm muitos adeptos. E o preto como é fica, diante do branco ou do amarelo.

Nas bandeiras, as cores mais bonitas são o verde, azul, amarelo e branco, as características principais da bandeira brasileira. Tem até música patriótica que evidencia as cores de nossa bandeira. E quando se fala em time de futebol então, a discussão vai longe e é mais acalorada, principalmente se a polêmica envolver torcedores corintianos ou palmeirenses.

Até nas logomarcas as cores influenciam. Dizem que o azul é a cor de melhor aceitação. Tanto que as empresas que adotaram o azul como seus símbolos, prosperaram com muita rapidez, enquanto as outras que adotaram como exemplo, a cor vermelha não foram tão bem sucedidas como as concorrentes.

A prova disso está na logomarca da Rede Globo, comparada a TV Band, que adotou ultimamente as cores verde e amarelo como seu símbolo de identificação. Antes predominava o vermelho. A Sabesp também utiliza o azul, desde sua implantação em São Paulo, sendo imitada pela Telefônica e inúmeras outras empresas nacionais ou multi-nacionais.

Em se tratando de roupas masculinas, sempre gostei do azul marinho, como terno ou bleizer. Mas para variar preciso usar outras cores para não ficar marcado como “cidadão mal vestido”. Confesso que o branco é uma cor que eu admiro, e usaria com freqüência se não fosse para contrariar pessoas da minha intimidade. É natural, que na virada do ano o branco é a cor que se recomenda, e disso se aproveitam os que têm ternos brancos, ou as lojas especializadas na venda de confecções masculinas.

Na minha atividade profissional, a roupa é muito importante e faz parte do trabalho principalmente nos cerimoniais. Por isso, me ocorre a lembrança de ter recebido o primeiro terno - de presente do Zezinho Charqueada - quando animava programas infantis na Rádio Presidente Venceslau/AM, há mais de cinqüenta anos. Ele que era um dos patrocinadores e ficou tão satisfeito com os resultados da divulgação, que encomendou um belo “Risca de Giz” para ser confeccionado pelo saudoso Moacir Alfaiate. E ele me ofereceu o terno como presente pessoal de fim-de-ano.

Depois desse maravilhoso presente, fui contemplado muitos anos depois, em Presidente Prudente, com um outro terno que me foi presenteado pelo Sr. Eduardo Pires Mattos em agradecimento pelo cerimonial que realizei na inauguração de um novo Supermercado do Grupo J.Alves Veríssimo. Afora essas duas oferendas, só tive a oportunidade de receber diversos ternos de cores diferenciadas quando trabalhei no Telejornalismo da Rede Bandeirantes.

Mas o “Branco” que eu tanto cobicei, só tive a oportunidade de usá-lo quando ainda era solteiro, e foi confeccionado pelo alfaiate Valdemar Zulim. Na época, era um terno requisitado em razão dos meus compromissos como apresentador de programas de Rádio. E com isso teria que me vestir bem e estar preparado para animar shows musicais em várias cidades da região. E isso ocorreu com muita freqüência nos anos das décadas 50 e 60.



Escrito por Altino Correia - Repórter às 13h28
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Altino Correia, jornalista. Mais de 50 anos de atividades profissionais em Rádio, Jornal e TV. Ex-correspondente do Estadão, Folha, JB e O Globo (freelancer).


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