MEMÓRIAS DE UM REPÓRTER (DO INTERIOR)

Memórias de um Repórter



 
 

77 ANOS DE VIDA; 60 EM COMUNICAÇÕES

No dia 30 de Julho comemorei 77 anos de vida. Foi o momento para uma reflexão sobre o transcorrer dos anos em vários pontos do Brasil, desde o nascimento em terras longínquas do interior da Bahia até alcançar em 1939 a cidade de Presidente Venceslau na região de Presidente Prudente. A vida profissional na área de comunicações – com a somatória de Rádio, Jornal, Televisão e Web – já vai além dos 60 anos. Nesse espaço de tempo muita coisa aconteceu: fatos auspiciosos, trágicos, ou simplesmente toleráveis. O começo se deu por acaso, ao ser contratado como Office-boy. Depois, promovido a Rádioperador, Locutor, Redator, Animador de auditório, Noticiarista, Repórter, Publicitário, Editor e Chefe de Reportagem.

Foi em conseqüência disso, que o Jornal Oeste Notícias, de Presidente Prudente deslocou uma de suas repórteres para me entrevistar. Reuni e reservei boa parte do material de arquivo para exibir e comprovar o que aconteceu de mais importante nos últimos 60 anos. Pena que o tempo e o espaço não são suficientes para reunir tanta coisa importante que já passou para a história. A começar com o episódio da 1ª. Reportagem que abriu caminho para uma carreira crescente que envolveu não só duas emissoras pioneiras de Presidente Venceslau e Presidente Prudente, mas também outros importantes veículos de comunicação.

Foi no Rádiojornalismo que fiz Escola e o meu aprendizado valeu por toda a vida, acrescido de estágios e aprendizado em cursos de especialização, onde se inclui a antiga Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Presidente Prudente que me conferiu um Certificado de Curso Intensivo de Jornalismo, em Maio de 1965. Antes porém, realizei entrevistas com famosas personalidades da época mais conhecida por “Anos dourados” a partir da década de 50. Foi no começo de carreira que entrevistei Plínio Salgado, Juscelino Kubitschek de Oliveira, Jânio Quadros, Adhemar de Barros, Carvalho Pinto, Abreu Sodré, Herbert Levy, Laudo Natel, Paulo S.Maluf, Franco Montoro, Paulo Egýdio Martins, Fleury e tantas outras figuras. Na década seguinte, entrevistei João Goulart e as principais figuras militares que o sucederam na Presidência da República, na chamada “Ditadura Militar”.

Nesse contexto, realizei grandes coberturas das inaugurações das principais Hidrelétricas de São Paulo e da Ponte Maurício Joppert da Silva – entre São Paulo e Mato Grosso – no comando de uma cadeia de Rádio para todo o país, com as mais destacadas autoridades: Ministros, Governadores e Presidente da República. Simultaneamente, produzi e assinei matérias nos principais órgãos de comunicação do Brasil. Última Hora; O Estado de São Paulo; Folha de São Paulo e jornais do Grupo Folhas; Jornal do Brasil (Repórter III) e O Globo (Free-lancer) por vários anos. A nível regional, Correio da Sorocabana e O Imparcial.

Cobri fatos memoráveis, com base em pesquisas à procura de Petróleo- desde as primeiras prospecções da Petrobras em Presidente Epitácio e Paraguaçu Paulista - a busca de gás natural e petróleo nas prospecções do Consórcio IPT-CESP que culminou com a descoberta de uma grande jazida em Cuiabá Paulista; as campanhas de combate à febre aftosa, Cancro cítrico, Ácaro vermelho no Algodão; Atta Capiguara nas pastagens, Peste suína africana na região de Ourinhos e Jacarezinho/PR; Invasões, despejos e queimadas no Pontal; a formação dos canaviais do extremo-oeste paulista e a implantação das primeiras Destilarias de Álcool. Também a exploração de uma nova cultura representada por Melões – tipo Espanhol – que geraram milhares de empregos, dando o título de “Rei” ao produtor Zenji Yoshihara. A implantação do “Projeto Rebojo”de Reforma Agrária em Estrela do Norte, que seria modelo para o Brasil (lançado no Gov. João Goulart) e implantado o Governo do Marechal Castello Branco, com entrega de títulos de parceleiros pelo Ministro Ivo Arzua.

E mais: a chegada inoportuna e a rejeição no meio rural do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra – MST/MAST e outras agremiações similares, iniciando uma onda de invasões às propriedades rurais do Pontal do Paranapanema e outros pontos do Estado; os acampamentos à margem das rodovias, as desapropriações e a formação dos Assentamentos com apoio do Instituto de Terras do Estado, visando o cumprimento de um projeto governamental para a produção de alimentos. Dentre as matérias de maior repercussão, as inundações do rio Paraná – antes da formação do Grande Lago de Porto Primavera – figuraram em 1º plano, especialmente no “Jornal do Brasil” que publicou dezenas de reportagens. Uma delas (Águas de Março), assinada e com fotos ocupou totalmente a capa do Caderno B, em 05/Janeiro/1977.

Assuntos políticos e econômicos foram os mais requisitados pelas redações a esse Correspondente Regional, tanto no Estadão, como na Folha de São Paulo, Jornal do Brasil e O Globo. De todas as matérias publicadas, maiores destaques para as visitas do Príncipe e da Princesa do Japão em SP (atualmente Imperadores); da Rainha Sílvia e do Rei Gustavo (da Suécia) à cidade de Ourinhos/SP. E também nos grandes encontros presidenciais, como os ocorridos em Presidente Epitácio, Rosana e Presidente Prudente com a visita dos Presidentes do Brasil e do Paraguai, assim como nos cerimoniais de inaugurações de obras nas Hidrelétricas de Ilha Solteira, Chavantes, Capivara, Taquaruçu, Água Vermelha, Três Irmãos, Rosana e Porto Primavera (Usina Sérgio Motta).

Ainda nas coberturas jornalísticas, grandes mobilizações em áreas distantes, como Araraquara, Andradina, Jales, Fernandópolis, Quatá, Assis, Rancharia, Ourinhos, Bastos e Campo Grande. Quando ocorreu o seqüestro do filho de um banqueiro famoso (depois, Senador da República), fui requisitado pelo Jornal do Brasil para cobrir todo o acontecimento, mesmo porque o seqüestrado foi morto depois de sua família ter pago o resgate exigido. Seria uma espécie de queima de arquivo, a fim de não identificar os envolvidos no seqüestro, entre os quais, oficiais da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul. Até o famoso Esquadrão da Morte chefiado pelo Delegado Sérgio Paranhos Fleury foi chamado às pressas para prender os componentes da quadrilha. Foi uma cobertura nacional, como outras de caráter político com renomadas autoridades brasileiras em outros pontos do país.

Em termos de Televisão, os primeiros trabalhos ocorreram em Brasília - em 1963 –como âncora de um programa de entrevistas na TV Nacional – Canal 6. Depois, participação “ao vivo” com reportagens no “Globo cidade” da TV Globo/SP, com apresentação de Luiz Lopes Corrêa. Depois, contratação por mais de 3 anos na TV-Bauru/Rede Globo (Correspondente), com Gilberto Barros, Benedito Requena, Luiz Malavolta, Luiz Carlos Azenha, Arnaldo Duran e outros. Na TV Bandeirantes de Presidente Prudente, implantação do Telejornalismo – com Itanir Perenha – e permanência de 8 anos, como Repórter, Editor e Chefe de Reportagem. Trabalhos intensos na maior parte do Estado, desde Presidente Prudente à Araraquara; São José do Rio Preto, Araçatuba e coberturas eventuais nos Estados vizinhos.

Dentre as coberturas de maior repercussão, o envolvimento dos Sem Terra no Pontal do Paranapanema, as enchentes e inundações do rio Paraná, problemas ecológicos da área ambiental – incluindo um incêndio por negligência que devastou extensa área de remanescente florestal do Morro do Diabo – que envolveu um primo do então presidente eleito (e atual Senador) Fernando Collor de Mello. Matérias especiais sobre a colonização japonesa, com enfoque especial no pioneiro da imigração que fez parte da 1ª. leva de imigrantes, Rioychi Kodama. E também com o ex-soldado japonês Sonoda, que viveu mais de 20 anos nas Selvas das Filipinas, ignorando o término da 2ª. Guerra Mundial. Inocentado e indenizado veio para o Brasil, casou-se e se estabeleceu com uma Fazenda de gado em Campo Grande/MS, mas passou por aqui e recebeu ajuda da colônia nipo-brasileira para recomeçar sua vida. E ainda: entrevistas com famosas personalidades políticas, entre elas o Senador (falecido), Ulisses Guimarães e outros.

Mais recentemente, adotei a Informática como o principal meio de comunicação juntamente com a Rede Vida de Televisão (onde sou Correspondente Voluntário há 13 anos) e já realizei centenas de matérias. Entrevistei figuras expressivas da vida religiosa brasileira: Padres, Bispos e Arcebispos. Pe. Marcelo Rossi – com seu Livro Ágape (Best seller), com lançamento tb em Presidente Prudente – foi um dos meus entrevistados para a REDEVIDA e Youtube.

Meu blog na Internet – Memórias de um repórter do interior – é uma revista eletrônica lançada em Janeiro de 2007, que vai além de 320 mil acessos e já publicou aproximadamente 1.500 matérias. O twitter registra mais de 15 mil textos; além disso, assino o Site da Paróquia Mãe da Igreja, o Twitter e o Blog da FCT como Assessor de Comunicação e Imprensa. E para finalizar entrevistei recentemente o Presidente do Supremo Tribunal Federal (na homenagem ao Dr. Fernando Florido Marcondes), Ministro Antonio Cézar Peluso, em matéria nacional pela TV.



Escrito por Altino Correia - Repórter às 18h08
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LONGEVIDADE TEM LIMITES

A imprensa brasileira tem se ocupado frequentemente de avaliações sobre os que vivem mais tempo, contrariando o princípio de que a média de vida humana gira em torno dos 70 anos. Mesmo as citações bíblicas já diziam que o limite não passaria dos 80 ou 90 anos. Por isso, quando alguém chega aos 100 anos de vida, já representa um fato excepcional, principalmente se estiver lúcido ou na plenitude de uma vivência sadia. É o caso do Sr. Takigawa, que depois de comemorar seu Centenário já se prepara para outra celebração especial em Janeiro de 2012, quando espera completar seus 105 anos de vida.

No século passado, tornou-se célebre a apresentação em eventos sociais ou festividades comemorativas do personagem “Chapéu de Couro”, que nada mais era do que uma figura popular na região, não só pela sua antiguidade (pois dizia ter sido descendente de escravos), mas sobretudo pela sua grande popularidade. Vivia em Presidente Epitácio numa pequena casa de madeira cedida pela família Guímaro na área rural, com quem trabalhou por muitos anos no início do século 20.

Quando alguém perguntava pela idade do popular “Chapéu de Couro”, cujo nome de batismo era Raimundo Gomes dos Santos, nascido em Diamantina/MG – terra de J.K – ele logo dizia: “Sou do tempo da escravidão, até que a Princesa Dona Izabel libertou os pretos. Veio o progresso e o modernismo tomou conta”. E hoje - dizia ele - ninguém conhece ninguém. Sem saber ao certo o dia em que nasceu, exibia uma Certidão de Nascimento, declarada em Cartório de Presidente Epitácio no ano de 1968 que dava sua idade aproximada, na época, beirando 100 anos.

Quando morreu em Presidente Epitácio, Raimundo Gomes dos Santos (Chapéu de Couro), tinha por informações vagas a idade aproximada de 126 anos, com base nas declarações de alguns de seus descendentes, atribuída ao que ele dizia em vida. Eu me recordo muito bem das inúmeras reportagens que realizei com “Chapéu de Couro”, algumas ainda conservadas em vídeo-cassete. Numa dessas matérias de TV, perguntei a ele: “Qual o segredo de viver mais de 100 anos”; e ele dizia: “É não correr atrás do dinheiro!”.

Posteriormente descobri no Calçadão de Presidente Prudente, uma senhora de avançada idade, mas em plena lucidez. Conversando com ela, fiquei sabendo que havia nascido também em Minas Gerais, era viúva desde 1977, morou no Paraná e depois se transferiu para esta cidade, onde vive em companhia de alguns filhos e netos. Embora carente, ela tem vergonha de pedir ajuda. Trata-se de Dona Deolinda Soares Rodrigues, com residência declarada no Jardim Santa Mônica, em Presidente Prudente.

O que ganha Dona Deolinda (como resultado de uma Aposentadoria por idade), utiliza para sua subsistência, aquisição de medicamentos, e ainda presta ajuda a alguns necessitados. Atualmente, ela completou 113 anos de vida e está inserida no noticiário da imprensa nacional, desde a morte de outra mulher – com 115 anos - que até então considerada a mais idosa do Brasil, tendo apenas dois anos a mais que ela.

Existiria alguém no Brasil com essa idade, ou mais que Dona Deolinda? O importante não é apenas dizer, mas comprovar com documentos sua idade verdadeira. Em caso contrário, ficamos com a nossa anciã, que por sinal, deveria receber melhor atenção das autoridades e da comunidade em geral. Ela chegou a me dizer de forma reservada, que estava sendo ameaçada por algumas pessoas que se diziam fazer parte da Assistência Social. E segundo revelou a recomendação que lhe passaram teria sido: não vir à área central da cidade, pois assim agindo ela estaria se expondo ao ridículo de pedir ajuda financeira à pessoas estranhas, coisa que não corresponde à verdade; mas que a deixou bastante magoada.

Todos os acontecimentos de maior expressão regional são focalizados pelo TWITTER. Para se atualizar, basta clicar: www.twitter.com/altinocorreia



Escrito por Altino Correia - Repórter às 10h33
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TROTES, LENDAS E MITOS

O profissional de Rádio, Jornal ou TV está sujeito a se envolver involuntariamente em situações delicadas. São os chamados “trotes” que poucos conseguem evitar, especialmente quando se faz comunicação de forma agilizada e imediata. O telefone (e mais recentemente o Computador) aberto pra o contato com o público pode gerar sérios problemas nos programas de Rádio, deixando uma situação constrangedora não só para o apresentador, mas também para a própria Emissora.

Foi o que aconteceu comigo no passado, quando um ouvinte de Presidente Epitácio que não imaginava as conseqüências de um notícia trágica, telefonou para a Emissora em que eu trabalhava a fim de informar – no ar - o naufrágio no Rio Paraná, de um barco de passageiros com muitas vítimas – dizia ele. Mas tudo não passava de um “trote”, exigindo imediato desmentido devido à repercussão gerada pela falsa notícia.

Em Santo Anastácio em outra época, ao serem descobertos alguns túneis subterrâneos muito se falou sobre antigos conflitos armados que acabaram por envolver figuras conhecidas da cidade. Um dessas figuras – de saudosa memória - foi Toninho Depieri, que sendo descendente dos primeiros colonizadores, fez seu testemunho comprovando ter participado de um desses movimentos revolucionários quando ainda criança. E citou também seu companheiro Bernal para confirmar tudo que aconteceu nos anos 20 e 30 do século passado.

Um desses conflitos verificados em Santo Anastácio, foi travado entre remanescentes da Coluna Prestes, liderada pelo ex-Capitão do Exército e dirigente máximo do Partido Comunista Brasileiro, Luiz Carlos Prestes com tropas federalistas. Como conseqüência disso, houve sete mortos, todos sepultados no Cemitério Municipal de Santo Anastácio. Essa matéria foi reconstituída através de uma Reportagem Especial que realizei através da TV Bandeirantes, com repercussão nacional.

Para comprovar a verdadeira situação em que se envolveram dois grupo litigantes, recorremos à memória de antigos moradores. Com isso, se tornou possível localizar em meio aos entulhos, uma placa de granito registrando esse histórico acontecimento, que provavelmente ainda pode permanecer junto ao Cruzeiro existente naquele campo santo. Foi o Toninho Depieri quem nos lembrou que na noite do conflito armado em Santo Anastácio nasceu uma criança que recebeu o nome de “Revoltosa”, numa alusão ao confronto.

Em Presidente Venceslau, até alguns anos atrás ainda se falava na Revolução de Izidoro Dias Lopes, um dos remanescentes da Coluna Prestes que lutou desde 1924 contra o Governo Federal, ao lado do líder Luiz Carlos Prestes. Moradores mais antigos disseram que na zona rural de Piquerobi, dois soldados revolucionários abusaram de uma família ali residente, tendo estuprado duas moças. O pai, inconsolável procurou o Comandante do grupo rebelde a quem denunciou o abuso praticado pelos soldados. Imediatamente, o chefe revolucionário reuniu todo o Pelotão e pediu que as vítimas (pai e filhas) apontassem os verdadeiros culpados. Reconhecidos, foram chamados nominalmente. À cada um deles, o comandante entregou uma Pá e ordenou que cavassem duas sepulturas. Em seguida, determinou que um Pelotão de Fuzilamento, especialmente convocado fizesse a sua parte; e os acusados tiveram seus corpos enterrados ali mesmo. Provavelmente, os revoltosos permaneceram sepultados por muitos anos no Cemitério Municipal de Presidente Venceslau.

No final da década 50, quando a Petrobras encerrou as atividades relacionadas à prospecção de petróleo em Presidente Epitácio, a maioria da população queria saber o porque da paralisação dos trabalhos e os motivos que determinaram a lacração do poço pioneiro. Ninguém deu explicações até hoje! Mas especulou-se que nos últimos dias da prospecção houve sério problema com um dos Engenheiros encarregados da perfuração. É que ele havia conhecido uma moça da sociedade local, com a qual namorou, noivou e partiu para os preparativos do casamento,viajando para os Estados Unidos onde morava sua família. Certamente ele pretendia cientificá-la da intenção de casar-se com uma brasileira, cujas núpcias seriam realizadas lá mesmo em Epitácio, logo após seu regresso.

Ocorre que, por ironia do destino, quando o Engenheiro voltou teve a triste notícia de que a noiva havia fugido com um antigo namorado. E o norte-americano ficou a ver navios. Como desforra, ele decidiu tomar um grande pileque, liquidando todo estoque de whisky que havia adquirido previamente, pensando na festa do casamento. E o Engenheiro bebeu tanto, que se esqueceu de acompanhar e fiscalizar o trabalho com a sonda perfuratriz que já se aproximava dos 4.000 metros de profundidade. Foi nessa altura que a broca quebrou e a prospecção em busca de petróleo – que deveria chegar aos 6.000 metros – se encerrou ali mesmo e definitivamente.



Escrito por Altino Correia - Repórter às 14h18
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ESTÁ CHEGANDO MAIS UM CARNAVAL

Festa tradicional e tipicamente brasileira, o Carnaval sempre foi um período de alegria para os brasileiros. Para os trabalhadores em geral, a oportunidade de pular, brincar e se divertir durante três ou quatro dias. Pena que os Clubes não tenham recursos para manter o Carnaval como atrativo para o lazer e recreação de seus associados. Com isso, a alternativa é ir para a rua, isto é, se a Prefeitura estiver bancando a festa dedicada ao Rei Momo, 1º e Único.

Nos velhos tempos, quando iniciativa minha atividade profissional no Rádio, fui locutor e animador de auditório – dentre outras atividades radiofônicas e jornalísticas – e por incrível que pareça fui lançado oficialmente animador do Carnaval Popular em Presidente Venceslau. Era o começo da década 50 e apesar das dificuldades da época, a Prefeitura Municipal é que bancava a festa, empenhando recursos financeiros previamente aprovados pela Câmara Municipal com a finalidade de patrocinar o “Carnaval do Povão”.

O Venceslau Clube e o Clube Recreativo desse período que já tem aproximadamente 60 anos, promoviam um Carnaval de fazer inveja às grandes cidades brasileiras. E cooperavam também com o Carnaval Popular, com seus grupos carnavalescos que se deslocavam para a rua, a fim de prestigiar a festa popular na Praça Nicolino Rondó. Conseqüentemente, os carnavalescos de maior expressão também retribuíam a visita aos dois Clubes, até a última noitada. E não faltava animação, sob o comando da Rainha e do Rei Momo. A primeira foi a morena Ordelina Maria da Conceição e o Rei, Chico Preto!

O Carnaval Popular de Presidente Venceslau continuou por todos os anos. Existe verba consignada no orçamento e com isso, não faltam recursos para a contratação da Banda ou do Conjunto Musical que anima o tríduo carnavalesco, em praça pública. Só não fiquei sabendo se ainda existe o Concurso de Fantasias para premiar os melhores foliões. No meu tempo, esse concurso ganhava repercussão muitos dias antes do Carnaval. E quando chegava o momento decisivo era uma verdadeira consagração. Todo mundo estava lá, para ver e também participar da grande festa popular.

De todas as cidades da região que se empolgaram com o Carnaval, apenas Presidente Prudente e Presidente Epitácio mantiveram suas características, com o Desfile das Escolas de Samba, com seus carros alegóricos, fantasias maravilhosas e muita criatividade. Isso em termos de alta sorocabana e cidade-ribeirinha, respectivamente; porque há outras promoções de menor expressão regional durante o período. Não se esquecendo de Panorama, na nova alta paulista, que promove seus folguedos como atrativos turísticos, voltados ao grande número de visitantes.



Escrito por Altino Correia - Repórter às 09h08
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EM BUSCA DA SORTE GRANDE

Termina o ano de 2010 com alegrias e decepções. Os que buscavam a sorte na Mega da Virada acabaram saindo frustrados. O prêmio era algo surpreendente: o equivalente a pelo menos 1 real de cada brasileiro, correspondendo a aproximadamente 200 milhões. Ao contrário dos sorteios anteriores que acumulavam sucessivas extrações sem acertadores, desta vez favoreceu nada menos que quatro felizardos para dividir o Grande Prêmio de aproximadamente 50 milhões para cada um. Esses ganhadores foram localizados em pontos diferentes do País: dois do Paraná, um de Minas Gerais e o último, do Espírito Santo.

No passado, foram inúmeros os ganhadores não só em Presidente Prudente, mas também em outras cidades. Loteria Federal, Loteria Esportiva, Lotomania, Lotofácil, Mega-Sena, Dupla Sena e outras premiações. O que foi feito desse dinheiro? Poucos sabem dizer. Mas a esperança em ganhar está na cabeça de muita gente. Alguns, com pretensões de dividir a sorte quando isso acontecer, beneficiando instituições de caridade, igrejas, creches, asilos e outras entidades carentes. Mas a sorte mesmo, só Deus sabe!

Quando se fala em bilhetes da Loteria, vem logo a lembrança do chamado “Bilhete Premiado”, que já envolveu muita gente bem intencionada (ou com pretensões de levar a melhor), na negociação com os autores do golpe. Muitos casos foram parar na Polícia; e o dinheiro jamais recuperado. Por incrível que pareça, esse tipo de conto persiste até os dias atuais. E os mais prejudicados são sempre pessoas humildes, que sacam seu dinheirinho depositado em Poupança, para entregar de “mão beijada” para os espertalhões.

Outro tipo de golpe que ainda aparece esporadicamente é denominado “Conto do Vigário” e que nada tem a ver com a Igreja e muito menos com os Padres. O conto que já lesou muita gente surgiu exatamente em 1926 e aplicado com êxito pela 1ª. vez no ano em que nasci: 1.934. O Conto do Vigário segundo o escritor José Augusto Dias Jr. (que editou um livro sobre o assunto), recebeu essa denominação por existir um agiota – com muitos contos de réis – que se chamava Manoel Teles Vigário.

Mas no transcorrer dos tempos vieram outras modalidades de contos. Entre elas, o Conto da Pirâmide que envolvia grandes investidores e vigaristas que agiam em inúmeros países, ampliando assim o número de vítimas. Por conseqüência vieram também o Conto do Telefone, do Seguro Previdenciário e os Seqüestros Relâmpagos que exigem saques em dinheiro nos Caixas Eletrônicos. É o golpe aprimorado que muitas vezes é precedido de simulação de seqüestros ou assaltos, usando contato telefônico com supostas ou eventuais vítimas.

No meu tempo de juventude em Presidente Venceslau ocorreu um fato sui-gêneris, que só depois fiquei sabendo tratar-se do “Conto da Guitarra”. O golpe se desenvolveu mais ou menos assim: dois ou três vigaristas fizeram um levantamento sobre as pessoas mais antigas que ainda guardavam dinheiro sob o colchão. Como a maioria dos colonizadores era representada por portugueses, eles entraram em contato com um ancião (cujo nome foi guardado em sigilo) para uma visita de negócios. O momento preferido seria após as 19h00. E assim se desenvolveu o primeiro contato.

Ao anoitecer, os espertalhões estavam na casa do Português, prontos para aplicar o “Conto da Guitarra” que foi mais ou menos assim: eles levaram uma máquina para demonstração, que imprimia dinheiro vivo. Eram cédulas sobrepostas, que em cada virada da manivela se desprendia naturalmente. E quanto mais rodava, o velho lusitano Demonstrava maior interesse pela máquina, que segundo os visitantes estaria à venda por um determinado preço. Breve pausa, para conversação e negociação. Proposta feita, com contraproposta e negócio fechado! Porém, uma dúvida: as notas impressas ficariam com quem? O Português dizia que era dele, e os espertalhões diziam: Não!

Decorridos alguns minutos, chegou-se a um acordo. O Português foi até o Quarto e com toda cautela, retirou os “calhamaços de dinheiro” para pagar a compra da máquina, que lhe daria – segundo previsão – muitos milhões a mais. Os visitantes guardam o dinheiro recebido, tomaram o caminho de volta e desapareceram. Com toda sua ingenuidade, o velho lusitano não perdeu tempo. Passou a rodar a manivela o tempo todo, até que em determinado momento sentiu que a máquina “empacou” e não produziu mais nada. Ele insistiu, mas a fábrica de dinheiro zerou sua produção.

No dia seguinte, o Português conversou com alguns amigos mais íntimos e relatou o ocorrido. Mas foi alertado que ele poderia ter entrado no golpe dos malandros que o visitaram. Diante disso, só restaria uma alternativa: procurar a Delegacia de Polícia. E assim o fez: porém, exigiria o dinheiro de volta ou o conserto da máquina para continuar sua produção industrial. Foi nesse momento que ele ficou sabendo que se tornou mais uma vítima do “Conto da Guitarra”. E ele insistiu: Doutor, eu não posso perder nem dinheiro, nem a máquina. Preciso receber pelo menos o dinheiro que investi no negócio. E o Delegado responde: “A máquina está apreendida e se insistir, quem vai para a cadeia é o Senhor”!



Escrito por Altino Correia - Repórter às 13h35
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REENCONTRO DOS POLÍTICOS, DE ONTEM E DE HOJE

Até parece coincidência, mas se houvesse um calendário pré-determinado, talvez não viesse a ocorrer o agradável encontro dos políticos de ontem e de hoje na história de Presidente Prudente. Tudo, em decorrência da homenagem que a Câmara Municipal prestou nos últimos dias deste mês ao ex-prefeito Paulo Constantino, outorgando-lhe o título (merecido) de “Cidadão Prudentino”. O fato auspicioso aconteceu na noite de 27 de Novembro, na sede da Sociedade de Medicina de Presidente Prudente e reuniu um número incalculável de participantes, incluindo seus antigos Assessores.

Quem passou pela história de Prudente, sabe muito bem que o título de Cidadania só é atribuído a quem veio de fora. Entre os quais me encontro, desde 01 de Janeiro de 1968. Foi pouco antes que aqui chegou o cidadão Paulo Constantino, que procedia de Patrocínio/MG, onde nasceu e viveu boa parte de sua vida. Era o mais novo Diretor da Empresa de Transportes Andorinha, integrando o grupo dos empresários de Minas Gerais. Com ele, vieram de mudança a esposa Maria Auxiliadora e as filhas.

Para ingressar na vida política de Presidente Prudente, Constantino contava com o apoio de grandes personalidades – ligadas à Andorinha – como: José Lemes Soares (Comendador) e o filho Walter Lemes Soares, lançado candidato e eleito Prefeito Municipal de Presidente Prudente, por uma expressiva votação. Antes de concluir sua administração, Walter Lemes não se preocupava com o sucessor, chegando mesmo a dizer em tom de desabafo que deixaria a Prefeitura endividada, mas com um bom saldo de obras. O problema ficaria para o seu sucessor, que coincidentemente recaiu na escolha de Paulo Constantino, que deu conta do recado por duas vezes como Prefeito.

Feito esse breve relato, só tenho a dizer: a primeira administração de Paulo Constantino surpreendeu a todos! Apesar das dificuldades iniciais, ele superou todas as barreiras e “até desacreditado” em certo período, acabou dando a volta por cima. Nisso, tenho parte a incluir, pois foi nessa época que demonstrei interesse em ajudá-lo, criando uma Assessoria Especial de Imprensa para divulgar seus atos administrativos, sob a coordenação do meu ex-companheiro de jornalismo, Sérgio Antonio, de saudosa memória.

Com Sérgio Antonio – admitido como Oficial de Gabinete - decidimos contratar um acompanhante para registrar os atos do Prefeito - desde as primeiras horas do dia - e um deles, foi Sinomar Calmona, que gravava tudo e depois trazia a fita para transcrição e distribuição à mídia da época. Foi desta forma, que a administração Paulo Constantino ganhou projeção e apoio da comunidade inteira. Efetivamente, a cidade passou por uma transformação e vieram grandes empreendimentos, graças ao trabalho dinâmico que ele realizou como Prefeito de Presidente Prudente.

A implantação do Calçadão da Maffei foi um episódio digno de registro. A iniciativa tinha por base os primeiros resultados proporcionados pelo Projeto de Curitiba, que serviria de base para Prudente. Constantino se empenhou em implantá-lo e contratou uma empresa de Arquitetura plenamente confiável, dirigida por Kazuo Maezano que executou a obra que permanece até hoje. Entretanto, houve contratempo. Um grupo do comércio central se opôs e por pouco, o Projeto iria de água abaixo. Foi nessa altura, que tomei a iniciativa de realizar uma pesquisa junto aos profissionais de comunicação da cidade, e por maioria absoluta, todos aprovaram a proposta de Paulo Constantino.

A inauguração do Calçadão da Maffei, em 1982 – juntamente com o Estádio Prudentão, Parque de Uso Múltiplo, Estrada e Balneário da Amizade, Centro Olímpico, e outros empreendimentos grandiosos – foi o ponto de partida para uma nova era. No ato de inauguração, exatamente há 28 anos, o Calçadão recebeu cerca de 25 mil pessoas. Foi a consagração!

Paulo Constantino, agora lembrado e homenageado pela Câmara (em nome de toda a população de Presidente Prudente), recebe o reconhecimento de um trabalho honesto, profícuo e grandioso. A geração atual – incluindo políticos militantes ou não – faz justiça em tempo, homenageando quem realmente merece. Honra ao Mérito!



Escrito por Altino Correia - Repórter às 13h18
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AS ‘‘GAFES’’ DOS POLÍTICOS

Nas campanhas eleitorais desenvolvidas no país no decorrer dos últimos 50 anos sempre se ressaltou a presença dos candidatos, seus discursos, seu comportamento e suas gafes. No passado, Adhemar de Barros era a figura popular e mais pitoresca, seguido de perto pelo seu principal adversário, Jânio Quadros. As charges produzidas pelos cartunistas da época mostram o lado crítico de cada político, que tanto podem promovê-los como também deixá-los em situação constrangedora perante o eleitorado.

Houve mesmo casos em que os candidatos foram transformados em motivos de “chacotas” do próprio eleitorado, e principalmente de seus adversários. Ridicularizados em público, esses candidatos só perderam prestigio e votos, ao invés de contabilizar saldos positivos através da transformação de suas imagens durante a campanha eleitoral.

Em 1.965 quando desembarcava no Aeroporto de Presidente Epitácio a fim de aguardar a chegada do então presidente Castello Branco, Adhemar (que era o Governador de São Paulo), estava com a bexiga estourando e não via a hora de ter alguns segundos livres para fazer xixi. Foi aí, que ele interrompeu os apertos de mãos que estava recebendo dos correligionários que o recepcionavam e pediu que fizessem uma “rodinha” em volta dele. A finalidade não era outra: verter água para poder se aliviar.

Nesse exato momento, se aproxima uma respeitável senhora, muito conhecida e amiga pessoal do então Governador. Era uma correligionária confiável, integrante do Partido Social Progressista (PSP já extinto), e pela intimidade com o pessoal do Palácio, era considerada e tratada como Comadre do Dr. Adhemar.

Ela com toda certeza nem percebeu o que estava acontecendo naquele exato momento; e a todo custo queria estar mais próxima do Líder Pessepista para abraçá-lo e cumprimentá-lo. Foi nessa altura que sem a menor cerimônia, a mulher avançou o sinal e insistiu: “Dr. Adhemar, Dr. Adhemar. Eu quero lhe dar um abraço muito forte”. E ele muito tranqüilo, olhou para a comadre e disse: Por favor, comadre, espere um minutinho só, porque agora estou com a mão ocupada!..

O ex-governador, ex-prefeito de São Paulo e atual Deputado Federal, Paulo Salim Maluf que muitos diziam ter memória fotográfica, esteve nesta região muitas vezes. Na instalação de um Governo Itinerante em Presidente Prudente - ao ser recepcionado - usou o microfone para agradecer citando nominalmente diversas pessoas. Entre elas, uma que denominou “Angelina”.

A citação se repetiu por quatro ou cinco vezes, sem que ninguém pudesse entender. Numa transmissão radiofônica “ao vivo” que eu estava conduzindo, admiti estar havendo um equívoco, apesar da memória fotográfica do orador. E o alertei que “não era Angelina, mas sim Auxiliadora”. E o então Governador Paulo Maluf (com sua habilidade) corrigiu na hora, justificando que Angelina era uma outra pessoa que ele tinha grande consideração, mas que lamentavelmente não se achava presente. Auxiliadora sim, estava ao seu lado, de corpo e alma.

Outro que cometeu uma grande gafe, foi o ex-candidato a Governador, Antonio Ermírio de Morais. Ele percorria as cidades do Pontal o Paranapanema em campanha ao Governo do Estado. Era Setembro e a escala de visitas terminaria no Recinto de Exposições, onde já eram realizadas as grandes mostras da pecuária regional de Presidente Prudente.

Nos seus pronunciamentos, Antonio Ermírio se limitava a falar da situação em que se encontrava a economia de São Paulo, considerando sempre a presença dos profissionais de imprensa que o acompanhavam na cobertura. Entretanto, ao se pronunciar em Mirante do Paranapanema, ele admitiu que todos os jornalistas já haviam se retirado, pois teriam a etapa mais importante em Presidente Prudente. Com isso, ele poderia falar à vontade porque seu discurso não seria registrado pela grande imprensa. Puro engano: eu estava lá e cobria para a Folha de São Paulo. E ele disse: “São Paulo é um Estado às portas da falência”.

Tudo foi gravado e reproduzido no texto enviado imediatamente para a Agência Folhas em São Paulo. Como São Tomé, o Editor não acreditou que essa frase teria partido de Antonio Ermírio. E questionou pelo telefone: Ele falou isso mesmo? “Sim, foi a minha resposta. Falou em voz clara e eu posso provar agora mesmo. Está aqui, no meu gravador”! Você quer ouvir? Sim. Vamos conferir...

No início da noite, ao chegar ao Recinto de Exposições de Prudente, todos os assessores da campanha vieram me abordar para saber se era verdade o que eu havia passado para a Folha. Sim, confirmei tudo e os outros jornalistas que cobriam o acontecimento também quiseram ouvir a gravação em k-sete, reproduzida várias vezes com toda clareza.

Tudo que foi dito pelo então candidato figurou na matéria política mais importante do dia seguinte, ocupando a primeira página da Folha de São Paulo e de outros jornais que me entrevistaram. O pronunciamento e a matéria polêmica tiveram a mais ampla repercussão, não só em São Paulo, mas em todo o Brasil.

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Escrito por Altino Correia - Repórter às 14h54
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NOVELAS E IMPROVISAÇÕES

Nas décadas de 50 e 60 o Rádio tinha uma ação predominante em todos os setores, inclusive em novelas. Eram as chamadas “rádionovelas” produzidas sob efeito da grande audiência desfrutada no país pela Rádio Nacional do Rio de Janeiro, cujos artistas ganharam projeção mesmo depois do aparecimento da Televisão, com suas atraentes novelas de todas as noites.

Em Presidente Venceslau, como certamente em outros centros populacionais, as emissoras de Rádio não quiseram ficar para trás. E para demonstrar que não tinham nada a dever às grandes antenas, criaram seus elementos especializados e começaram a produzir peças teatrais, skets e novelas com temas próprios de cada região. As rádionovelas ganharam audiência e contribuíram para a formação de uma nova categoria profissional.

Apesar da falta de recursos e das improvisações, muitos talentos foram revelados nessa fase. Alguns ingressaram nos cursos de formação profissional e foram reaproveitados de forma extraordinária no Teatro, na Televisão e no Cinema. Na Rádioemissora local, a fase mais expressiva dos programas evidenciando a arte dramática e teatral, verificou-se a partir dos últimos anos da década 50.

Dady Von Atzingen produzia os dramas do dia a dia com biografias e breves históricos da vida cotidiana, envolvendo personalidades da época. A idéia surgiu a partir da produção do programa “Cortina de Veludo”, que Rubens Shirassu – uma das mais belas vozes do rádio – apresentava todos os dias, baseando-se sempre na letra de uma determinada música. Tudo começava com uma crônica baseada na música, que depois rodava na integra para maior valorização do quadro artístico.

Com os originais escritos à mão (em cadernos), Dona Dady fazia a seleção dos protagonistas entre os próprios funcionários da Emissora. Cada um deles tinha um papel a desempenhar. E depois de um breve ensaio iam todos para o estúdio, a fim de interpretar o seu papel ao vivo, conforme o script previamente produzido. O contra-regra, convocado entre os radialistas, cuidava dos efeitos especiais e das músicas a serem utilizadas para caracterizar cada trecho da história. Um deles falava da veia poética de alguns escritores. Mas o interprete (que fui eu), entendeu que a palavra tinha outro sentido. E ao invés de veia poética, falou: Véia poética. E foi uma gargalhada geral dos integrantes do elenco, como se fosse um programa humorístico.

Uma das peças apresentadas ao vivo exigia do sonoplasta, efeitos especiais de chamada telefônica. Como não existia gravação disponível para identificar o toque da campainha, eu mesmo resolvi levar para o estúdio um antigo aparelho que estava fora de uso. Bastava acionar a manivela, e imediatamente soava a campainha como se fosse uma chamada telefônica. Num último teste (fora do ar), constatou-se que a pilha já havia sido esgotada e que a solução seria ligar o fio da bateria diretamente à tomada elétrica. Porém, no momento que deveria valer, a campainha não funcionou. Então, a única opção foi recolocar o fio do aparelho na tomada elétrica; que ao invés de tocar deu um tremendo estouro. E levantou um enorme fumaceiro no estúdio, que ninguém pôde suportar. A rádionovela foi interrompida enquanto todos deixavam o estúdio ao som de um efeito musical, que durou vários minutos.



Escrito por Altino Correia - Repórter às 14h19
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O CAÇADOR DE ONÇAS

Nos últimos anos do século passado, houve grande mobilização por parte da CESP em torno da Bacia do Rio Paraná visando resgatar aves e animais silvestres, existentes na área a ser inundada para formação do Grande Lago de Porto Primavera. O Ibama representado pelo biólogo Peter Crawshow se fez presente durante vários meses, coordenando os trabalhos de captura, às margens do Rio Paraná, envolvendo os Estados de São Paulo e Mato Grosso do Sul. Desde Nova Andradina, Bataguassu, Rosana, Presidente Epitácio e Panorama.

Fazendo parte da equipe, também teve destacada atuação um famoso caçador de onças, com vasta experiência no Pantanal Matogrossense: “Tonho da Onça”. Tratava-se de um especialista que se tornou conhecido em todo o país, após a divulgação pela imprensa nacional e internacional, de ter sido um dos maiores caçadores de onças do centro-oeste brasileiro. Só não foram revelados os números relativos à quantidade de felinos que ele sacrificou.

Para demonstrar essa habilidade, e com apoio de outra equipe baseada num helicóptero que sobrevoava a região, primeiro eram localizados os animais para o resgate. Depois, o caçador partia para o local com uma matilha de 10 a 15 cães e uma espingarda equipada com dardos. Aí, a onça acuada e perseguida, acabava recorrendo à árvore mais próxima para se livrar do ataque dos cães.

Então, o caçador fazia a aproximação e concluía a operação, efetuando os disparos com tiro certeiro sobre o alvo desejado, ou seja: a onça pintada ou a onça parda. Atordoado, o animal descia da árvore, e a equipe de pesquisa – orientada pelo biólogo – realizava tranquilamente o seu trabalho de retirada do sangue para análise, identificação do felino e outros exames.

A operação comandada por Crawshaw foi tão bem sucedida, que no decurso de uma semana, sua equipe conseguiu localizar e identificar nada menos que seis onças. A outra equipe, incumbida da caça a outros animais, capturou no Varjão do Rio Paraná, centenas de cervos e aves raras, algumas já em fase de extinção.

A captura de veados (posteriormente encaminhados aos Zoológicos do Estado), foi mais difícil, devido à agilidade desses animais. Para resgatá-los, exigiu-se o emprego permanente de um helicóptero, de onde os caçadores saltavam sobre os animais, dominando-os e amarrando-os com corda, para depois submetê-los aos exames de praxe.

Foi um período importante da história regional que precedeu ao enchimento do Grande Lago de Porto Primavera, visando o resgate de animais e aves silvestres, em defesa da flora e da fauna. Ao mesmo tempo, se colocou em evidência uma atividade até então desconhecida, ou seja: a preservação ambiental numa área em que a devastação imperou por longo tempo, sem que os ambientalistas se manifestassem.

Em se tratando de felinos, existem curiosas historias envolvendo onças e gatos. Chega mesmo a ser pitoresco o episódio que envolveu um Advogado tempos atrás em Presidente Prudente. Não era uma fase de tanta violência com assaltos diários como ocorrem atualmente. Mas para um morador da Zona Leste, sempre foi temeroso viver sem a companhia de um animal, como forma de segurança.

Foi exatamente isso que aconteceu com o Advogado. Ao invés de ter um cão feroz em sua companhia, ele preferiu uma onça, que foi adotada ainda filhote. Era uma Sussuarana, tratada à mamadeira desde os seus primeiros dias – enquanto ainda era pequena – e não assustava ninguém. Isso aconteceu nos últimos meses do ano de 1981.

À medida que a onça ia crescendo, passou a representar séria ameaça para os vizinhos ou por aqueles que perambulavam pelos bairros de além-linha, na tentativa de praticar algum assalto. Passando por ali, logo se defrontavam com a fera, e desde então mudaram seu roteiro de visitas. O Advogado ficou tão empolgado com a onça que mantinha para a segurança de sua família, que passou a viajar tranqüilo, na certeza de que nenhum “amigo do alheio” invadiria sua privacidade.

Nessa altura, fui pessoalmente atestar a eficiência da onça, transformada em cão de guarda. E o Advogado relatou detalhe por detalhe do que significava ter um animal feroz e eficiente como aquele, para substituir os cães de guarda. A notícia repercutiu nas reportagens que realizei pela TV, reaproveitadas e reproduzidas pelas emissoras de rádio e os jornais da época.

Mas ao mesmo tempo, o assunto passou a merecer atenção da Polícia Ambiental e do Ibama, que acabaram por recolher o felino e levá-lo como doação para o Zoológico de Araçatuba. Com isso, o Advogado perdeu uma importante aliada, que sem nada receber cuidou da segurança de sua família e se tornou por algum tempo, um dos animais de maior respeito em toda Zona Leste de Presidente Prudente.



Escrito por Altino Correia - Repórter às 21h26
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VERDADE OU MENTIRA?

Muitas vezes ocorrem confusões na identificação das pessoas. Por isso, somos chamados por nomes (ou sobrenomes) que nem sempre correspondem à realidade. Mas para evitar transtornos ou constrangimentos se torna mais recomendável não se manifestar, aceitando o engano como a verdade. Foi o que aconteceu comigo em inúmeras ocasiões.

Conheci Geraldo Soller há mais de cinqüenta anos. Era, e é meu companheiro de atividades profissionais - desde os últimos anos da década de 50 - escrevendo ou falando através do jornal e das Emissoras de Rádio. Com ele, viajei até Brasília numa grande delegação representativa da Alta Sorocabana a convite da Assessoria Especial da Presidência da República.

Depois, por intervenção pessoal de Geraldo Soller transferi meu domicílio definitivamente para Presidente Prudente nos primeiros dias do mês de Janeiro de 1968, onde trabalhamos juntos na Administração e no Radio jornalismo da ZYR-84 por um bom tempo. Naquela Emissora de AM (que existe até hoje), ele apresentava e eu participava da produção de “O Escaramuça”, um programa de estilo crítico, informativo e investigativo de maior audiência na época.

Simultaneamente, no decorrer dos tempos, tivemos a oportunidade de participar também de outros acontecimentos, dando ampla cobertura através da imprensa e rádio, identificados sempre como amigos e irmãos. Devido a essa amizade sincera e leal, também chegamos a ser confundidos muitas vezes.

De minha parte, asseguro que recebi cumprimentos de muita gente pelas matérias publicadas no O Imparcial, como se eu fosse Geraldo Soller. Não sei se com ele também aconteceu o mesmo. Aliás, a longa convivência faz com que as pessoas gravem a fisionomia, mas geralmente esquecem os nomes. E assim, já fui chamado por Adelmo, Barbosa, Benito, Dom Agostinho, e na maioria das vezes, Geraldo ou Soller.

A situação mais constrangedora aconteceu após a Missa de um domingo na Capela do Colégio Cristo Rei, freqüentada habitualmente por Geraldo e sua digníssima esposa, Aparecida. A confusão certamente aumentou, porque minha esposa também é Aparecida, e meu falecido pai chamava-se Miguel, coincidentemente o mesmo nome do pai e de um neto do Soller.

Foi assim que ao deixarmos a Capela do Cristo Rei, um senhor de certa idade muito gentilmente veio em minha direção especialmente para apresentar seu filho (ou neto) que acabava de chegar do exterior. E de uma forma espontânea - precedendo os cumprimentos - ressaltou: “Este aqui é o jornalista que escreveu aquele artigo em minha homenagem”...

Embora reconhecendo o mérito da questão, eu não poderia em hipótese alguma me fazer passar por Geraldo Soller. E disse a ele como forma de justificativa: O Sr. vai me desculpar, mas eu sou Altino Correia. Percebi imediatamente que havia cometido alguma gafe, mas preferi a verdade e não me manifestei naquele momento.

Contando esse caso ao companheiro Geraldo Soller, eu quis saber como ele se comportaria no meu lugar. E Soller foi categórico: ficaria calado!.. Depois desse episódio, tive a oportunidade de participar inúmeras vezes de encontros sociais, onde Geraldo Soller também se fez presente. De maneira especial em eventos, objetivando expressar os agradecimentos pela sua eficiente contribuição ao desenvolvimento através de sucessivas campanhas.

Sua comunicação diária por meio do jornal O Imparcial, favoreceu sobremaneira sua atuação. Nada menos que em duas ocasiões, ele recebeu as mais expressivas homenagens pelos seus 60 anos dedicados ao jornalismo: no Balneário Thermas em 2005 e nos salões da Associação Prudentina de Esportes Atléticos – APEA - em 2006.

Com uma matéria especial que eu produzi para a Rede Vida de Televisão e que foi transmitida para todo o país, ele se consagrou com uma das mais importantes figuras da região, reconhecido oficialmente pelos seus magníficos trabalhos profissionais. Nos dias que sucederam a realização desses festivos acontecimentos, voltei a ser cumprimentado por algumas pessoas que continuaram confundindo a nossa identidade.

Um deles foi mais alem: depois de me cumprimentar pelas homenagens, se recusou a receber o pagamento da reposição de um acessório que eu havia adquirido numa loja de peças, em reconhecimento aos méritos que ele me atribuiu como se eu fosse Geraldo Soller.

Aceitando a recomendação do próprio Soller, permaneci calado para não arranhar a imagem de quem tão merecidamente foi homenageado inúmeras vezes pela sua capacidade, inteligência e principalmente, por mais de 60 anos dedicados ao jornalismo e comunicação na região de Presidente Prudente, situação essa que ainda não alcancei.



Escrito por Altino Correia - Repórter às 16h43
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UMA DÉCADA DE EMPOLGAÇÃO

No auge do entusiasmo pelas comemorações do aniversário do município de Presidente Prudente na década de 70, Antonio Sandoval Neto (que era o prefeito), decidiu homenagear a cidade de Guadalajara pelo fato de ter sediado os jogos da Copa Mundial de Futebol, onde o Brasil se saiu muito bem, conquistando mais um título para as cores verde e amarela. Embora sob regime militar, o País vivia uma fase de empolgação geral e o futebol era assunto dominante em toda parte.

Na cidade administrada por Sandoval, existia uma rua estreita situada no Parque São Judas Tadeu (paralela à Rua Cel. Abino), que poucos conheciam, incluindo moradores vizinhos e a maioria dos que lá residiam. Por incrível que pareça essa foi a rua escolhida para receber a denominação de uma cidade distante, até então desconhecida, que a maioria jamais tinha ouvido falar. Os convidados para representar a cidade homenageada inaugurando a placa oficial, eram integrantes de um Grupo de Mariachis, com seus enormes “sombreros” e show previamente marcado para as comemorações do Aniversário de Prudente.

No momento que deveria ocorrer a inauguração, ainda persistia um mistério: que rua é essa e onde fica, que ninguém conhece e nunca viu? Depois de rodar a cidade inteira e muito procurar, acabei sabendo que a via pública com mão única de direção começava (ou terminava) numa derivação, após a Rua Prudente de Moraes, bem abaixo do Ginásio Municipal de Esportes.

Quando lá cheguei para acompanhar e transmitir “ao vivo” a inauguração através do Rádio, não tinha mais ninguém no local. O próprio Grupo dos Mariachis – que veio do México – já havia desaparecido, alegando que estava fora de órbita depois de ter rodado a cidade inteira como “Cucaracha” ou barata tonta (conforme se diz na gíria), e diante disso, eles tomaram outro rumo em torno da periferia.

Quando localizei os mexicanos e perguntei o porque da ausência na solenidade de inauguração, um dos chefes balbuciou apenas algumas palavras. Em espanhol – que não entendi nada – retirando-se para o show internacional que os contratou; tudo num mau humor jamais esperado, demonstrando sua forma de protesto. Nessa época, o Brasil vivia uma fase de intensa euforia, graças ao futebol.

Os militares que se achavam no Poder, tinham naquele período ampla cobertura, porque incentivaram o futebol de todas as formas, inclusive pela música que empolgava a juventude. Eles reconheceram que era no futebol que estava a alegria do povo; e sua grande paixão pela Copa do Mundo estava em todos os lugares, sendo também assunto dominante dos meios de comunicação e de todas as conversas.

Enquanto se esperava pela brilhante atuação da Seleção Brasileira, a música – cantada em versos e prosa – alardeava a grande epopéia vivida pelos “Campeões do Mundo”, pelo País e pela nação inteira: Eu te amo meu Brasil / Eu te amo / Verde, Amarelo, Azul e Branco / Ninguém segura a Juventude do Brasil! Outros se revezavam cantando; 70 milhões em ação / Salve a Seleção / Prá frente Brasil/ Salve a Seleção!!! E ainda: A taça do mundo é nossa / Com brasileiro, não há quem possa!!!

A rua escolhida para receber a denominação de Guadalajara, que representava uma justa homenagem aos mexicanos que tão bem acolheram os jogadores e torcedores brasileiros, se mantém na mesma localização. Ou seja: na confluência da Rua Prudente de Morais, até alcançar o Jardim Eldorado (ou vice-versa), com quase 2 km de extensão. Decorridos cerca de 40 anos, a rua recebeu centenas de edificações residenciais, com várias transformações.

Quem passou ou vai passar por essa rua, que é hoje uma das mais populosas da cidade, vai ver muitas placas que a identificam como Rua Guadalajara. O que poucos sabem: até agora não houve qualquer inauguração - mesmo simbólica - como era o desejo do saudoso prefeito Sandoval Neto, que exerceu nada menos que três mandatos como Prefeito Municipal de Presidente Prudente.



Escrito por Altino Correia - Repórter às 19h46
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O BINGO DO AZAR

Recentemente, um empresário de Presidente Prudente foi autuado e processado por manter um Casa de Bingo em funcionamento na cidade de Álvares Machado. Com toda certeza ele foi indiciado pela prática de jogos de azar, mesmo alegando ter em mãos uma liminar concedida pela Justiça para operar jogos (através de cartelas), mais conhecidos por Bingo. É preciso lembrar que antes disso, os Bingos funcionavam normalmente, participavam de campanhas filantrópicas e até mesmo distribuição de propinas a alguns políticos corruptos, tanto da área federal, como estadual e municipal.

A propósito do assunto, recordo que anos atrás, a Santa Casa de Misericórdia de Presidente Venceslau - como muitas outras similares – enfrentava sérias dificuldades para sua manutenção. Então, o provedor, na figura respeitável de Emiliano Vilanova se empenhou a fundo para realizar uma campanha a fim de angariar fundos para manter a instituição. E decidiu pela promoção de um Bingo, que na época também era proibido.

Pensando no lado humano e com espírito de filantropia, Vilanova teve a brilhante idéia de promover um “Bingo Beneficente”. Sendo novidade, muita gente que ainda não havia assinado a lista de doações, estaria optando pela compra de um convite com direito ao sorteio de um carro. Entretanto, ele foi alertado que se tratava de um negócio arriscado, pois a Lei das Contravenções Penais proibia terminantemente a prática dos chamados “jogos de azar”. O Bingo era um deles.

Impossibilitado de realizar essa promoção em área administrativa de São Paulo, como foi o caso de Presidente Venceslau, o Sr. Emiliano Vilanova adotou outra tática. E o fez promovendo o Bingo em outro estado, isto é, em Porto XV de Novembro, Mato Grosso do Sul. E veio à minha procura para a divulgação do evento através da Emissora de Rádio. Nisso, obteve ajuda dos amigos mais íntimos e deu início à venda dos cartelas para o Bingo beneficente.

Mas, não demorou muito e um afoito Promotor de Justiça tomou a iniciativa de mandar recolher todas as cartelas que estavam sendo oferecidas pelos voluntários e cambistas. Ao mesmo tempo, mandou recolher e indiciar em processo vendedores, compradores, dirigentes da Santa Casa e até aqueles que colaboraram na divulgação do evento, como foi o meu caso.

O Delegado de Policia, meu amigo e compadre veio à minha procura e disse que teria de cumprir a determinação superior, e indiciar todos os envolvidos na campanha em prol da Santa Casa - até mesmo oficiais de justiça - que estavam ajudando na distribuição das cartelas. Marquei dia e hora para depor, e constatei que eram centenas de pessoas citadas no inquérito.

Justifiquei a minha boa intenção divulgando a realização de um bingo em outro estado – sem qualquer custo – por ser uma causa mais do que justa, em se tratando de uma campanha filantrópica e humanitária. Meses depois, eu e mais de uma dezena de pessoas que haviam demonstrado interesse em contribuir com a Santa Casa de Misericórdia de Presidente Venceslau fomos notificados a comparecer ao Fórum da Comarca a fim de prestar depoimento no processo instaurado pelo Ministério Público.

Em minha defesa se colocou o Professor e Advogado Geraldo de Féo Flora, posteriormente Juiz numa brilhante carreira até se aposentar como Desembargador, que me aconselhou a confirmar tudo que havia dito perante a autoridade policial. E mais: se necessário, tomaria a mesma atitude caso fosse novamente solicitado a fim de promover a divulgação de campanhas em prol da Santa Casa.

O processo, depois de concluído foi arquivado e a instituição benemérita continuou realizando suas promoções, o que garantiu a manutenção da entidade por mais alguns anos. Depois desse triste episódio, a única lembrança que restou foi representada por algumas placas fixadas pelos corredores, contendo nomes de antigos doadores, voluntários e beneméritos, dentre os quais o maior de todos os provedores: Emiliano Vilanova.

Cada um de nós deve ter na consciência o desejo de prestar ajuda à alguma instituição que realmente trabalha em prol da comunidade. E nisso, faço um apelo a todos os que me acompanham nestes quase 60 anos de vida profissional. Vamos contribuir, de acordo com as nossas possibilidades com todo tipo de doação para entidades que efetivamente prestam serviços de Utilidade Pública. A Santa Casa é uma delas, seja de Presidente Venceslau, Presidente Epitácio, Álvares Machado, Martinópolis ou Presidente Prudente. São instituições dignas de crédito e respeito, que merecem ajuda e reconhecimento de todos.



Escrito por Altino Correia - Repórter às 13h21
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GUERRA SURDA CONTRA AS FORMIGAS

Nos meus tempos de infância, pouco se falava sobre a existência das formigas. Mas com o desenvolvimento da agricultura em extensa área da região de Presidente Prudente, tornou-se comum o aparecimento da Saúva, tida como uma das espécies mais devastadoras das plantações. Depois surgiu a Atta Capiguara, ameaçando as pastagens e colocando em sobressalto a classe agropecuária por vários anos. Mas também existiam outras espécies ameaçadoras, embora em menor proporção.

A luta contra as formigas em determinadas épocas, transformou-se numa verdadeira guerra. E o primeiro produto de fácil aquisição e de eficiência comprovada era a Formicida Tatu. Seu efeito era mortífero, causando inclusive problemas para as pessoas que cuidavam dessa operação. Mesmo garoto, fui incumbido de exterminar as formigas que atacavam a propriedade de minha família, numa pequena lavoura na zona rural de Presidente Venceslau.

Uma “pitadinha” de formicida era suficiente para exterminar todo o formigueiro. Às vezes, com risco para quem aplicava, como foi o meu caso. Mas sobrevivi e acompanhei o aparecimento de outras variedades de formigas, como a Quemquem, que devorava todas as pequenas folhagens que apareciam na lavoura. E anos depois, a Atta Capiguara que ameaçava assustadoramente todas as pastagens, sendo combatida por intervenção do Governo através do Instituto Biológico.

A situação em determinados períodos foi tão grave, que exigiu dos órgãos competentes do Governo Federal o lançamento de uma campanha contra as formigas cortadeiras que ameaçavam a economia brasileira. E até uma denominação especial foi criada a nível nacional: “Ou o Brasil acaba com a saúva, ou a saúva acaba com o Brasil”. Com altos investimentos, quem perdeu a batalha foi a saúva. Mas as donas de casa continuam lutando até hoje para exterminar pequenos focos de formigas que invadem suas casas ou apartamentos na zona urbana. Não se esquecendo das inconvenientes “Lava-pés” que estão por toda parte.

Só agora, depois de viver mais de 75 anos é que fiquei sabendo que as formigas formam uma colônia gigantesca, constituída – segundo a Wikipédia - por uma família de 12.845 variedades - até o dia 04 de Janeiro de 2010 - distribuídas por todo o planeta. Há mesmo quem diga que elas chegam a 18.000 (com 9.536 espécies) em todo o mundo e pelo menos 2.000 no Brasil. Elas surgiram no período cretáceo, ou aproximadamente há 100 milhões de anos.

Nos últimos dias, depois de passar por uma Angioplastia c/Cateter e permanecer sob cuidados médicos na UTI Coronária da Santa Casa de Presidente Prudente por quase uma semana, tive que retornar às pressas devido a um processo alérgico. Por incrível que pareça, o único inseto que me picou foi uma formiga, que só depois fiquei sabendo tratar-se de “Formiga-cobra”, extremamente venenosa. Ela provavelmente me obrigou a passar por um rigoroso tratamento com antialérgicos, depois de dois dias de internamento hospitalar. Nessa categoria de formigas venenosas, são inúmeras as variedades.

Através de pesquisas que decidi realizar (para não cometer injustiças), fiquei sabendo que além da formiga-cobra, existem outras mais terríveis, exigindo cuidados especiais. Elas são provenientes do Arizona (Estados Unidos), Paraguai, Austrália e Tasmânia. Uma simples picada de uma dessas formigas equivale a 12 picadas de abelhas, pois injeta veneno repetidas vezes. Outra espécie, causa dor intensa 24 horas ininterruptas e em pessoas alérgicas, pode provocar a morte. E a última, uma simples ferroada causa inchaço, irritação, febre e ainda: choque anafilático.



Escrito por Altino Correia - Repórter às 08h34
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O “BARÃO” QUE INFERNAVA A CIDADE

Logo depois de ter sido instalada a Penitenciária Regional de Presidente Venceslau em 1965, começaram a surgir os primeiros problemas na cidade. Não com a vinda dos presidiários e seus familiares, mas com a chegada dos integrantes do contingente militar, constituído em sua maioria por Policiais Militares procedentes de outros pontos do Estado.

O primeiro a criar problemas foi um Soldado, reconhecido apenas pelo pseudônimo de “Barão”. Ele aprontava em todos os fins-de-semana. As reclamações começaram a agitar a cidade, até ser levada ao público, através de uma denúncia trazida ao meu conhecimento na direção de rádiojornalismo da Emissora local.

O que o PM “Barão” promovia, era motivo de comentários os mais desencontrados. O ponto escolhido para a prática da desordem, estava concentrado na ZBM (Zona do Baixo Meretrício) e se repetia automaticamente toda semana. O Soldado fazia de tudo para chamar a atenção dos moradores vizinhos, desde beber todas, provocar e sair “pelado” pelas ruas da cidade durante a madrugada e até dar tiros para o ar, a torto e a direito.

Preocupados com os disparos e irresponsabilidade do Policial Militar, os denunciantes foram diretamente ao Repórter, que encampou sua luta pedindo urgentes e enérgicas providências às autoridades competentes. “Barão” era um PM de cor, alto, forte, arrogante e de boa argumentação.

Mal terminou a apresentação do Jornal Falado, chegou às minhas mãos a comunicação de uma funcionária da Emissora, dizendo que um cidadão, conforme a descrição acima estava me aguardando na Portaria da Emissora para uma conversa pessoal. Não era outro, senão o “Barão”, em carne e osso.

Ao contrário do que se esperava, encontrei pela frente um moço educado, que se apresentou com estas palavras: Seu Altino, eu ouvi seu comentário e venho aqui especialmente para lhe agradecer! Tudo que o Senhor falou está correto. Não tenho nada a opor. Mas eu gostaria de agradecer antecipadamente pelo que foi divulgado em seu comentário a meu respeito.

Em seguida, o moço já identificado pelo pseudônimo de “Barão” fez sua justificativa: Eu vim para cá como castigo e quero a todo custo voltar para minha terra, que é Sorocaba. O seu comentário sobre meu comportamento, vai com toda certeza forçar a minha volta. Muito obrigado por tudo...

Horas depois, o PM “Barão” recebeu ordens superiores para deixar a cidade (preso), e nunca mais deu notícia!

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Escrito por Altino Correia - Repórter às 11h50
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O FANATISMO CORINTIANO

É impressionante o fanatismo dos corintianos desde longa data. Eu ainda era garoto e já via e ouvia as manifestações corintianas, desde os pequenos clubes como o Corintinha de Venceslau, de Bilac, de Presidente Prudente e o glorioso Esporte Clube Corinthians Paulista, o campeão dos campeões. É o “Timão” de sempre que neste ano de 2010 estará completando seu Centenário no dia 01 de Setembro.

Embora não sendo torcedor fanático de nenhum clube (em especial o Corinthians), eu admiro muito a garra da torcida corintiana. Não só nos estádios de futebol – particularmente no Prudentão em Presidente Prudente – ou em qualquer cidade brasileira, tanto nas ruas como nas Praças de esportes. Mesmo que as pelejas não sejam de cunho exclusivo do Parque São Jorge.

Em Presidente Venceslau durante um certo período, fui um dos correspondentes da Edição de Esportes do Estadão - que era mais conhecida por “Estadinho” devido ao formato tablóide, com circulação em todas as 2as. feiras - e simultaneamente, atuava como Correspondente da Agência Folhas que recebia todo meu noticiário e o distribuía para A Gazeta, Gazeta Esportiva, Última Hora, Folha de São Paulo, Folha da Tarde, Notícias Populares, TV e Rádio Gazeta de São Paulo.

Posteriormente na condição de Comunicador das Rádios Globo-Excélsior – atualmente CBN – tive a oportunidade de acompanhar e produzir inúmeras matérias sobre o Corinthians, principalmente por ocasião de suas vitórias na região. Que eram poucas, mas extraordinárias sob o aspecto da torcida e esportividade.

Por incrível que pareça (e isso é válido até hoje), bastava o E.C.Corinthians ganhar uma partida de futebol, para os jornais criarem maior espaço, ampliando suas tiragens, alcançando conseqüentemente maiores vendas. Ao mesmo tempo que nas bancas se esgotavam todos os exemplares disponibilizados para a venda avulsa.

Fico a pensar: essa aquisição avulsa pelos leitores, seria uma forma de ter em mãos os jornais como lembranças e memorização das conquistas corintianas? Ou seria com outros propósitos que ninguém está proibido de ter, isto é: colecionar vitórias corintianas (documentadas), como simples capricho?

Durante muitos anos em que morei em Presidente Venceslau, sempre acompanhei a vibração dos corintianos mais fanáticos. E acreditem: pude até testemunhar um fato inédito! Havia na cidade vizinha de Presidente Epitácio, uma senhora que liderava toda a torcida. Xingava e brigava pelo seu clube predileto, o Corinthians, em qualquer lugar. O marido (calado e muito compenetrado), estava sempre ao lado da mulher. Temendo naturalmente algum excesso por parte dela, ou uma eventual reação inesperada e contrária, para se colocar em sua defesa, já que se tratava de uma “líder da torcida corintiana”.

Mas nem sempre havia tranqüilidade ou segurança! E não é que um dia ela se irritou com a atitude de um Juiz de futebol que apitava o jogo no Parque São Jorge e partiu contra ele disposta para a briga? Como surgiu um jogador pronto para defender o Juiz, a coisa complicou. Ela não perdeu tempo: arrancou um balaústre que cercava o campo de futebol – que existe até hoje - e marchou contra o Árbitro.

Ao levantar o balaústre para dar uma cacetada no Juiz que ela taxava de desonesto - ou no jogador que o defendia - o marido percebeu o perigo iminente e partiu como se fosse um “Galo de briga”, decidido a intervir e entrar no meio da pancadaria para evitar maiores conseqüências, agravadas pela mulher encrenqueira.

Resultado: o maridão com pinta de herói, recebeu o balaústre bem no meio da testa e saiu do estádio carregado pela turma do “Deixa-disso”. Mas com a mulher ao seu lado, já arrependida e tentando consolá-lo a todo custo. Na verdade o alvo era outro...

Aqui em Presidente Prudente todos conheceram D.Amélia Barreto. Era uma mulher destemida e disposta a tudo e a todos. Era a Corintiana Número 1 que tanto lutou pelo Corintinha que chegou a ser eleita Presidente do Clube e Vereadora muito bem votada, representando a família corintiana.

Dona Amélia foi uma liderança autêntica que deixou o mundo dos vivos, mas que lá do alto certamente deve estar ao lado de São Jorge Guerreiro, torcendo sempre pelo Corinthians. Isto para não falar de outra figura também inesquecível: Rubens Andrade, o famoso Rubinho, o Corintiano Número 1 do Brasil, e um ex-piloto da Força Expedicionária Brasileira (FEB), com atuação na Segunda Guerra Mundial.

Rubinho era um corintiano tão fervoroso que mandou confeccionar e mantinha a logomarca do clube, num luminoso instalado na fachada de sua residência, nos talões de cheques, nos móveis da casa e até na cueca. O carro que dirigia tinha placas da cidade de Corinto/MG e onde Rubinho chegava era uma grande festa, ao ser reconhecido e anunciado pela música que se tornou célebre e das mais conhecidas: Salve o Corinthians, Campeão do Centenário. Foi um acontecimento marcante que até hoje é lembrado por muita gente, como verdadeira festa corintiana.

Mas o fanatismo corintiano não fica somente nessas revelações. Tempos atrás, um companheiro que trabalhava na entrega dos jornais em Presidente Prudente, tomou a iniciativa de fretar uma Kombi e seguir até Marilia acompanhado do primo Luiz Saint Clair (que é fotógrafo até hoje). O propósito não era outro: assistir a uma competição de futebol entre o Mac e o Corinthians Paulista. Ambos são e sempre foram corintianos roxos, em qualquer situação.

A viagem foi planejada com muitos dias de antecedência e os dois não viam a hora de rumar para Marilia a fim de torcer pelo timão, que estaria enfrentando o MAC pra valer. Conforme o previsto chegaram ao estádio com bastante antecedência. Lá , em plena arquibancada escolheram o melhor local para se instalar e ficaram à espera do início da partida.

As arquibancadas nessa altura já estavam superlotadas e eles até se esqueceram de que estavam em campo alheio, vibrando com as jogadas corintianas. Até que depois de muita expectativa,saiu o tão esperado primeiro gol do Corinthians. Foi uma apoteose: Saint Clair (sem máquina fotográfica) se levantou, bateu palmas, gritou e vibrou com a movimentação do placard. Porém, a reação da torcida contrária foi imediata: à medida que o corintiano se levantou para festejar o primeiro gol, recebeu um tremendo empurrão seguido de um pontapé no traseiro, sendo arremessado a muitos metros de distância. Foi arremessado diretamente para o gramado do Estádio do MAC.

Até hoje, ninguém ficou sabendo como aquele pobre corintiano conseguiu voar do alto das arquibancadas até alcançar o outro lado da cerca que separava a torcida dos jogadores em campo. Por se tratar de um amigo e ex-companheiro de trabalho e em forma de solidariedade, tomei a iniciativa de produzir uma matéria especial para “Notícias Populares”, do qual por alguns anos, correspondente.

Foi esse mesmo jornal (NP) que estampou foto e reportagem de 1a. página, sob o título: Corintiano é massacrado em Marília! O que ninguém conseguiu imaginar até hoje, é que ele (Luizinho), precisou ser removido em ambulância até Presidente Prudente, onde recebeu atendimento numa Clinica especializada. Aqui, ele foi engessado do pescoço aos pés em virtude de ter fraturado o cox, um ossinho localizado na extremidade da coluna, que o obrigou a permanecer sob cuidados médicos por mais de 90 dias.



Escrito por Altino Correia - Repórter às 09h45
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Meu perfil
Altino Correia, jornalista. Mais de 50 anos de atividades profissionais em Rádio, Jornal e TV. Ex-correspondente do Estadão, Folha, JB e O Globo (freelancer).


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